Exibições da letra 52

Talento e Formosura

Paraguassu

Letra

    Tu podes bem guardar os dons da formosura
    Que o tempo, um dia, há de implacável trucidar
    Tu podes bem viver ufana da ventura
    Que a natureza, cegamente, quis te dar

    Prossegue embora em flóreas sendas, sempre ovante
    De glórias cheia e no teu sólio triunfante
    Que antes que a morte vibre em ti funéreo golpe seu
    A natureza irá roubando o que te deu

    E quanto a mim, irei cantando o meu ideal de amor
    Que é sempre novo no viçor da primavera
    Na lira austera em que o Senhor me fez tão destro
    Será meu estro só do que for imortal

    E quando a parca então travar na sepultura
    O teu orgulho em podridão reduzirá
    Virão os vermes desflorar-te a formosura
    De que na terra mais ninguém se lembrara

    Mas quando a morte relatar meus dissabores
    Serei lembrado pelos bardos trovadores
    Que os versos meus hão de na lira em magos tons gemer
    Eu morto embora nas canções hei de viver

    Descantarei na minha lira das estrelas o fulgor
    Da flor, o mago odor que vem saudade despertar
    Exponho heis que em branca areia inquieto mar vem derramar
    São fontes perenais de gente amar

    Conheci a rosa que senvale e se debruça em leve astil
    E a fonte que soluça e que lhe fale em flori e amar
    Bastão somente para os bardos inspirar

    Composição: Catulo da Paixão Cearense, Edmundo Otávio Ferreira. Essa informação está errada? Nos avise.
    Enviada por Armenio. Revisões por 2 pessoas. Viu algum erro? Envie uma revisão.

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