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O Paletó do Boiadeiro

Pedro Bento e Zé da Estrada

Letra

    Um peão de boiadeiro certo dia resolveu
    O seu cavalo de raça na cidade ele vendeu
    Mil e quinhentos reais foi quanto ele recebeu
    Pegando aquele dinheiro
    Gritou pro seus companheiros hoje quem paga sou eu

    No primeiro bar que entrou com seus amigos do lado
    Gastou cinquenta reais do dinheiro arrecadado
    No bolso do paletó o resto ficou guardado
    Nesse dia ele abusou
    Tanta pinga ele tomou que ficou desnorteado

    Quando voltou pra fazenda já era de madrugada
    Chegou sem o paletó não se lembrava de nada
    Não sabia onde perdeu, falou pra companheirada
    O que eu sinto mais na vida
    É uma oração da Aparecida que eu trazia bem guardada

    O paletó na estrada pelo vento era levado
    Os carreiros que passavam pra não ver os bois assustado
    Chuchava com o ferrão e pros barrancos era jogado
    Até um andante passou
    Com desprezo ele chutou o tal paletó rasgado

    O peão num belo dia por ali tornou a passar
    Com surpresa ele avistou no meio de um arrozal
    Era um Judas balançando num galho de cambará
    Servindo de espantalho
    Todo molhado de orvalho seu paletó estava lá

    Aquele paletó velho que a poeira escureceu
    A pessoa que achou em seus bolsos não mexeu
    Estava lá todo o dinheiro e a oração que ele perdeu
    Sei dizer que depois dessa
    Cumprindo uma promessa nunca mais ele bebeu


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