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LetraSignificado

    Fiz a casa de taipa no alto da serra
    Cobri com coqueiro quem vê se admira
    Eu fiz um fogão e um forno de lenha
    Todinho de barro no gosto caipira
    Fiz uma jangada e um samburá
    Toda de taboca pra pescar traíra
    Eu fiz um monjolo também um engenho
    Uma rede de esteira amarrada de embira.

    A essência divina da felicidade
    É minha palhoça e meu mausoléu
    Enfrento o sol com a camada de ozônio
    Nas palhas trançadas do meu chapéu
    E à noite eu sinto a presença de Cristo
    Esculpindo estrelas no negro painel
    No balanço da rede adormeço olhando
    A lua mamando no peito do céu.

    Aqui onde eu moro a mãe natureza
    Pinta quadros vivos para os olhos meus
    As figuras nascem da polpa divina
    E recebe a luz da placenta de Deus
    Na tela infinita do grande universo
    Também sou estampa no nascer dos seus
    O sábio pintor com pincel invisível
    Expõe suas obras em seu próprio museu.

    Sou tapiocano caboclo matuto
    Espinha dorsal da nossa nação
    Sou escudo do sol e escravo da sorte
    E também o elo no centeio do pão
    Sou servo que vivo regando as flores
    Sulcando esperança do seio do chão
    Caipira eu nasci, caipira vou morrer
    E jamais vou viver longe do meu sertão.

    Composição: Ciro Roza / João Miranda. Essa informação está errada? Nos avise.

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