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Letra

    Eu já não sei onde guardar tanta saudade
    Dos velhos tempos que vivi no estradão
    Hoje meu peito é um jazigo de lembranças
    Onde sepultei os velhos sonhos de peão

    E ao fechar os olhos vejo uma boiada ruminando
    A relva umedecida na capina
    Um berranteiro anunciando o fim de mais um dia
    A noite morna chegando na surdina

    Eu sou o filho da saudade
    Eu sou a lembrança do estradão
    Eu sou a sobra de um tempo tão distante
    Nada mais que um simples resto de peão

    Mas todo sonho do passado sempre volta
    Porque a saudade ressuscita novamente
    Em pensamento eu vejo tudo que fazia
    Naquele mundo tão gostoso e diferente

    Hoje não vejo mais boiada, nem estrada e nem sertão
    E nem berrante despertando a peonada
    Eu que já fui de tudo isso um pouquinho, hoje sei
    O quanto é triste minha vida em outra estrada

    Eu sou o filho da saudade
    Eu sou a lembrança do estradão
    Eu sou a sobra de um tempo tão distante
    Nada mais que um simples resto de peão
    Nada mais que um simples resto de peão

    Composição: Carlos D'Melo / João Do Reino. Essa informação está errada? Nos avise.

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