exibições de letras 42.014

R.U.A 4 (Poesia No Caos)

Nocivo Shomon

LetraSignificado

    [Kamon]
    É o rap
    Eu quero ver quem vai ficar
    Na hora que o bicho pegar
    É o rap

    [Gali]
    Ainda é pelo povo, ainda é pelo povo
    Eu vou, (que vou)
    Ainda é pelo povo, ainda é pelo povo
    Eu vou que vou

    [Diogo Loko]
    Ha!
    Eu me vi, eu vivi e escrevi tudo que eu senti
    E a inspiração câmbio negro álibi e cirurgia
    Verso de rua, rima bruta, resistência
    Guerreiro da luta e da conduta dos anos 90

    Palmas pro país do penta, molecada sem merenda
    E contando as pista portando ponto 40
    O inimigo é outro, entenda, o papo aqui já foi dado
    Cês acredita na Globo, porra, tá tudo errado

    Aê, cadê o Amarildo? Mataram Marielle!
    País do Carnaval condena pela cor da pele
    Com precisão, salve Mortão primeiramente e Shomon
    DJ Gali, Ravi Lobo e Kamon nessa missão

    Fechadão nos fundamentos que se foram, eu me lembro
    Salve pros cria, bom tempo, somos detentos
    E o povo segue sofrendo, DF tá mó veneno
    Nos bosque da Norte, na fé tamo sobrevivendo

    E eu tava na laje, ali no Viet
    No domingo à tarde trampando nos rap
    Carai, tem umas coisas que a mente num esquece
    Lembrei do barraco em 2007

    Via o passado assombrar o futuro
    Meu corpo vivendo e a alma de luto
    Na escuridão, tava vendo até vulto
    O rap foi a luz que me trouxe outro rumo

    Salve Maloka, Vietclã, Diogo Loko
    Poesia preta pura, para, parça
    É pro meu povo
    Salve Maloka, Vietclã, Diogo Loko
    Poesia preta pura, para, parça
    É pro meu povo

    [Kamon]
    Sub doze com orgulho, rap noventa me inspira
    Submetralhadora rajada lírica, escola de vida
    O aprendizado é gang e os portões não me limitam
    Rap, prova viva que a rua também ensina

    E a matéria que eu mais gosto minha professora odeia
    Canto um universo em crise, e ela diz que é brincadeira
    Aqui tu plantas, tu semeia, aposta nas crianças
    Amar é mesmo para os fortes, entenda a RUA

    Meu love song não é só song de love
    Em tempos difíceis canto amor ao próximo sem cortes
    Avisa lá que é o Kamon que tá no toque
    Guardas, tiras, walkie talkie, e os racistas fica em choque

    Nem quero saber quem fez essa bagunça no jardim
    Trata de arrumar tudin, pros seus filhos e pra mim
    Os canalhas que estragaram há de colher só ruim
    Fruto podre em terra fértil não se arruma com dindim

    A ira dos menor bolado no futuro
    Há de ser palavra ferro se estivermos no escuro
    Ou aprende pelo amor e garante o porto seguro
    Ou amarga pela dor e sente o peso desse murro

    [Thiago SKP]
    E as noites são traiçoeiras, com ansiedade me afoguei
    Tô procurando ir embora de onde ainda nem cheguei
    Se no tiro a bala cala, o que te abala é peso jumbo
    Não engoli desaforo, então saí cuspindo chumbo

    Não tenho dúvida que é uma dádiva
    Nunca foi dívida, é dividir a vida
    Tô no dilúvio, escrevo no estúdio
    Rimas de repúdio, buscando a saída

    Não escreva rimo vazia que instiga briga de fã
    Nossa história é escrita na rua e a sua só fica um dia no Instagram
    Somos aparência no game, porém gerar hype é que é pretexto
    No texto diz que não importa, se não importa, por quê fez o texto?

    A um passo do poço, peço uma prece
    Aquilo que pulsa nunca teve preço
    Não é fácil, tá osso
    O meu verso desce, cê não expulsa usando um terço

    Dichavo esse verso solto e sinto meu peito prensado
    Só eu sei o que eu tenho passado
    Pensado em tudo que tem me pesado
    Tô chorando direto há semanas
    E há meses não tenho rezado
    Fica difícil pensar lá na frente
    Se eu não tenho você do meu lado
    Pior que eu me vejo no jogo
    Um carrinho machuca a minha perna
    Cê foi tão foda que tão condenou todo minuto à saudade eterna

    A morte chega pra todos
    Na minha tente não chorar
    Não tô triste porque fui embora
    Eu fico feliz porque vou te encontrar

    [Gali]
    Ainda é pelo povo, ainda é pelo povo
    Ainda é pelo povo, ainda é pelo povo
    Eu vou que vou

    [Ravi Lobo]
    O sonho vivo no coração é mais real que tudo
    O ódio matou o rancor e a depressão acordou de luto
    Rondesp levou noventa por cento dos meus amigos
    Minha quebrada chora, só chora fingindo que tá sorrindo

    Conselho de mãe nunca falhou, nunca vai falhar
    Tipo as oração que te livrou e desviou das bala
    Eu sei, jow, cê falou, Salvador meu amor
    Na pista e no Cangaço minha família revolucionou

    Desde de sempre o lobo tenta a sorte, ver pra crer
    Ku Klux Klan enforcado bota a cara pra cê vê
    Amor, lealdade, irmandade na tristeza e na alegria
    Uma luz no fim do túnel fazendo ladrão chorar com poesia

    Brasil perdido nos becos da vida, apertou na morte
    Bahia nervoso, meus pivete que venceu os pinote
    A tropa, nova era suburbana, canto pro meu povo
    Político é chuva de bala, estuprador é veneno e fogo

    [Nocivo Shomon]
    Vivo o sentimento pra compor em cada batida
    Mais do que cantar rap, preciso cantar a vida
    Entre Judas, suicidas e suas tramas absurdas
    Vozes da verdade inútil pra mentes surdas

    O surdo faz o grave, vivência um poeta
    A mão que faz a bomba torna a estrada deserta
    Queria ter mais tempo pra falar das flores
    Que nem todo seu ouro compra meus valores

    Queria mais sambista espantando as dores
    Queria que as pessoas não matassem pelas cores
    Eu trago visão para expandir as Pineais
    Essa eu me inspirei na letra dos Imortais

    Vozes angelicais, profetas procurando a paz
    O topo te faz um herói, sua queda te torna capaz
    Animal voraz, Dona Selma foi leoa
    Trocaria mil Camaro pelo abraço da coroa

    Rosas e canhões, morreremos como o deserto
    A dor te faz lembrar que ela não tá mais por perto
    Mais uma lágrima no chão eu vejo cair
    Roubou a brisa, a memória, a mente além
    Coração de robô pra fingir sorrir
    E poder te falar que tá tudo bem
    Que tá tudo bem, que tá tudo bem

    [Maurício DTS]
    Cê quer saber, fecha a minha conta, meu último gole
    Preciso e não posso permitir que seja aqui o fim que essa dor me isole
    Busquei a força onde não tinha, lutei pela minha
    Pra descobrir que a vida é fábrica de abrir feridas
    Mais cruel que um promotor de um grande amor que te abandonou
    Dilacera a alma, veja o que restou de mim
    Minha lealdade, minhas histórias, minhas lutas
    No momento eu vou juntar meus caco e prosseguir na busca
    Deus, por caridade, acalma a saudade, que é tarde
    Várias noite sem dormir e dias de obscuridade
    Aos meus, minha lealdade eterna em cada perda trágica
    O amor divino é o lenço que enxuga as lágrimas
    Que regaram o meu jardim onde planto memórias
    É florido que voltam sempre em fauna predatória
    Em meio a caos e degraus, furas e FALs
    Cê só descobre tarde que o amor é incondicional
    Descobre o peso das palavras que não foram ditas
    Que moedas compram Judas, mas não compram vidas
    O espelho me lembra meu pai, me remete ao meu filho
    Chorando, eu vi o destino puxar o gatilho
    Vou fingir que não vi o verme frio ri
    Mas registrei cada covarde, o pró-labore vem depois, fi’
    De forma empírica se aprende que pausa não é breque
    A la guerra, pues
    Malparido, usted no me conoce

    [MC LO]
    Do fundo da alma
    Te resgato no escombro do ser
    Eu vim te devolver o poder
    O controle sobre você
    Exterminam nossos pensadores
    Eles procuram pensamento pronto
    No século da depressão
    Emoções fracas, almas em prantos

    Meu estado matando a cultura
    Não se vê mais nas praças dos bairros
    Repentista, ciranda, xaxado
    Enterrados no nosso passado
    Eu canto pra bandido matador, sou ex do time
    Torcida organizada TOIC, Os Cães, é Gang Vip

    Eu vivi essas brigas de rua
    Enterrei uns comédia no peito
    As tatuagem de armamento
    Denunciam que fui violento
    Não vim pra ser artista, sou um rapper, sou um alvo
    Ajudei sem esperar pra ficar despreocupado

    Hoje sou um exemplo pro bairro
    A polícia ainda mexe comigo
    Eles sabem do meu passado
    Só querem me pegar no vacilo
    Eles querem só os frutos, vixe
    Eu sustento a raiz origem
    Só se muda o placar se tiver escalado no time

    Valor que se inverte, é triste
    Até surgir um novo Hitler
    Se engana quem não pensou na repetição desse filme
    Eu vim pra descobrir o que as palavras não disseram
    Há um preço a se pagar, os que pensam já esperam

    Vão retalhar o meu corpo
    Mas não vão penetrar na minha mente
    Essa é a Cypher dos cara mais chato
    O anonimato é surpreendente

    Composição: Diogo Loko / Gali / Kamon / L.O / Mauricio DTS / Nocivo Shomon / Ravi Lobo / Thiago SKP. Essa informação está errada? Nos avise.
    Enviada por Hunter. Revisões por 5 pessoas. Viu algum erro? Envie uma revisão.

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