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Aparição

Poetas sem Nome

Letra

    O universo era franzino e cabia em sua voz.
    O seu corpo também era mas abrigava veredas.
    Tatuagens recobriam seus braços tão longos
    qual serpentes tatuadas sobre outras peles:
    Cynthia, Daddy, traços rudes em divino corpo;
    Seios fartos, ferradura, coração no ombro, postos.
    Qual nação, precisamente, nos cabelos ou rosto?

    Ache-me, estou por ai
    não sou cigana de hoje nem medieval...
    Ache-me, que estou confusa
    nesta cidade desperta - sobrenatural.

    Parecia mesmo árabe ou até hindu
    sem o ponto encarnado entre olhos navalhas.
    A marca ali no canto, lábio polpa a esquerda.
    Que sinais mais neste corpo que cantava assombros?
    Que valiam palco, luzes, microfones, palmas?
    É uma azaléia esgotada entre fios múltiplos
    e aparelhos sem som para a voz galáctica?

    Toque-me, sob os lençóis
    pois sou a imagem querida do que em mim se corroi;
    toque-me: minha alma viva naquilo mais doce em mim
    e que me constrói.

    Toque-me...

    Composição: Antonio Vitor / José Vitor Calfa. Essa informação está errada? Nos avise.

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