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Fado Viajante

Ricardo Fino

Letra

    Um velho fado de Lisboa
    Partiu em busca do passado
    Foi a luanda, foi a goa
    E por lá se perdeu enamorado

    Não estranhou os cantares de moscovo
    Nem as essências às portas de fez
    E foi com alento novo
    Arrebatado cantar outra vez

    Há quem diga que o fado é estrangeiro
    Que veio de nau, do deserto
    Há quem o despreze e o afronte na sua altivez
    Pode ser vadio, jaime ou correeiro
    Tango, mouraria ou alberto
    Fugido à tradição, mayer ou menor, o fado é português

    Um velho cistro já cansado
    De braço dado a um alaúde
    Mais um duduk bem chorado
    Eis que lhe volta a juventude

    Ai vibrante flamenco andaluz
    Ressoando num saz em ancara
    Tanta mescla o seduz
    A voz acaba numa guitarra

    Há quem diga que o fado é estrangeiro
    Que veio de nau, do deserto
    Há quem o despreze e o afronte na sua altivez
    Pode ser vadio, jaime ou correeiro
    Tango, mouraria ou alberto
    Fugido à tradição, mayer ou menor, o fado é português


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