Exibições da letra 55

Grande Rio 2026 - Myngal e Cia

Samba Concorrente

LetraSignificado

    Maré subiu, foi quando a lua alumiou
    Nasceram raízes no mangue
    Onde o caranguejo é rei e doutor
    É Nanã molda o barro dos ancestrais
    O amanhã resplandece no teu lilás
    E Josué já dizia: Há vida na lama
    A fome é mazela que o mundo reclama
    Na margem a terra molhada fulgura
    Figuinha, guará, jacaré saracura
    A imagem marginal de onde vem o meu sustento
    Ganha a mesa ribeirinha e faz do solo um movimento

    Daruê malungo ê
    Viva o templo de batalha
    Paruê malungo e
    Descendentes de Dandara
    É guardião regue o pé do mundo livre
    Lamento negro é essência que vive

    Reflete contra o lodo social
    Liberdade ancestral, um grito de alerta
    Sou nação zumbi, voz do manguezal
    Hei de resistir pelo litoral
    A pobre elite não vê, ou sempre finge
    O que me aflige, eu brado, é grave
    Se eu não alcanço você, meu groove atinge
    Ciência de chico na bolha não cabe
    O povo antenado na periferia
    Num beat aperreado pro baque virar
    O nosso mangue é Duque de Caxias
    Me organizei pra desorganizar

    Meu canto é maracatu por igualdade
    Nas garras do aratu, identidade
    Num grande rio de veias abertas
    Toque de alfaia, mente liberta!

    Composição: Myngal, João Diniz, Denilson Sodré, Hélio Porto, Miguel Dibo. Essa informação está errada? Nos avise.

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