
Carcaças de Teia
Umbral (BR)
Do topo das torres de areia, distinta arrogância
É turva a vista
Por trás dessas cortinas com frestas tão estreitas
Sacia a fome na ignorância
Luta sozinho praguejando ao seu redor
Incalculável asco do destino
Ódio só torna sua cova maior (sua cova maior)
Ódio torna sua cova maior
A raiva faz moradia
Persistentes vultos tecem agonia
Sufocando a própria tristeza
O ego soma grãos de fraqueza
A desilusão da realidade
No rancor, ancora sua verdade
Rumando à escuridão sem fim
Foi você quem escolheu desistir
Na sombra do próprio medo
Luz do amanhecer não tem o que colorir
Passos longos ao retrocesso
Esperança... Um sonho a fugir
A escuridão... Único alento
O desespero faz do corvo paciente, atento
Coração... Mera pedra fria
O ponteiro avança lento, por ironia
Ninguém quer te ver cair
Você já está no chão
Viver ou só existir?
Vergonha, único sentimento plausível
Um labirinto em turvo oceano negativo
Pensamento, agora, é ambiente inacessível
Fadado a linha de raciocínio primitivo
Você já está no chão



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