
LAPADA
Umbral (BR)
Dão a entender, não vão dizer
Sempre dizem o que são, porque nunca serão
Pelo vão da porta, o olho quer tudo o que vê
Inveja a vista, mas não quer se comprometer
Entusiastas discretos da lógica de barata
As mangas da camisa transbordam de cartas
Sangue frio, covardia primata
Que vidinha pequena
De pena em pena, é a vida que se drena
Mesmo à luz do dia, cuidado onde pisa
É a analogia que meu vô fazia
Nem tudo o que exala perfume se distância da carniça
Então era dessa sujeira que ele dizia
Apostam lenços que choraremos nesta cena
Era a sujeira que eu não via
Essa gente fluente em mentiras
A verdade é idioma que não aprecia
É criação? Mau caráter? Questão de psiquiatria?
Foda-se a ordem dos fatores, equação na mesma simetria
Vocês vão cair!
Anota aí!
Vocês vão cair!
O aviso é certo
E lágrima de filho da puta não me comove!



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