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Me Gritaron Negra

Victoria Santa Cruz

Afirmação e resistência em "Me Gritaron Negra" de Victoria Santa Cruz

"Me Gritaron Negra", de Victoria Santa Cruz, transforma uma experiência pessoal de racismo em um manifesto de orgulho e afirmação da identidade negra. O poema parte de uma lembrança dolorosa da infância da artista, quando foi chamada de "negra" de forma pejorativa. Isso fica evidente nos versos: “Y odié mis cabellos y mis labios gruesos / Y miré apenada mi carne tostada” (E odiei meus cabelos e meus lábios grossos / E olhei envergonhada para minha pele tostada). A obra reflete o impacto psicológico do preconceito e mostra como a pressão para se adequar a padrões brancos leva à rejeição da própria aparência, como nos versos: “Me alacié el cabello / Me polveé la cara” (Alisei meu cabelo / Passei pó no rosto).

No entanto, a força do poema está na virada em que Victoria Santa Cruz se apropria do termo "negra" e o transforma em motivo de orgulho. O trecho “¿Y qué? / ¡Negra! / Sí / ¡Negra! / Soy” (E daí? / Negra! / Sim / Negra! / Sou) marca esse momento de superação e autovalorização. A repetição da palavra "negra" ao longo do texto evidencia tanto a violência do racismo quanto o processo de ressignificação e empoderamento. O poema se torna um símbolo de resistência coletiva, refletindo a trajetória da autora como ativista e referência na valorização da cultura afro-peruana. Ao final, a afirmação “Negra soy” (Sou negra) é libertadora e inspira orgulho e celebração da negritude.

O significado desta letra foi gerado automaticamente.


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