
Coplas Pra Don Picancho
Volmir Coelho
Pras bandas do Carovi, nos campos lá de Santiago
Don Picancho nasceu ali, de barro antigo forjado
Todo serviço, por gosto, fazia muito bem feito
E os gelados de agosto escorava no osso do peito
Conheço os bois que lavro, não carece documento
Esses eram seus ditados, não froxava nem um tento
Nos palanques bem socados e nas tramas alinhadas
No ofício de alambrador, sesmarias demarcadas
Na força bruta do braço, tirava lenha do mato
Esse índio missioneiro era um gaúcho de fato
Derrubava um tronco a fogo, numa ciência ancestral
E pra não abichar um capado, um punhadito de sal
De Santiago a Palmeira, levou miles de munícios
Erva-mate, azeite vindos de nossos irmãos patrícios
Carreteava caramelos, munição, lã e farinha
Fazenda para as bombachas e chita pra Sinhazinha
Foi encurtando a distância, com fé e estampa
Envelheceu lá na estância, um genuíno marca pampa
Sentava em frente do rancho com a prenda e o amargo
Assim vejo Don Picancho, a pura essência do pago
Plácido Francisco Rosado, meu querido avô campeiro
Que na lida foi respeitado, para muitos é um luzeiro
Hoje miro esses campos, não vejo um taura assim
Conservo a tua templa acesa dentro de mim



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