
Doble Chapa
Volmir Coelho
O homem risca divisas
Em linhas imprecisas
Pra separar-se de si
No seu insano traçado
Abandona o passado
E deixa pra trás o guri
Como se fosse um desafio
Só quer bandear o rio
E aportar na outra margem
Mas quando emboca a canoa
Percebe que foi à toa
A sua sôfrega viagem
Mesmo que a gente queira
Não existe qualquer fronteira
Nesse nosso humano mapa
O guri sempre renasce
Pra mostrar que a gente nasce
Sem fronteira: Doble chapa
Segue em frente, sem ter medo
Deixa no pátio os brinquedos
Fica pra trás o menino
Nem sequer se dá conta
Da arapuca que lhe apronta
O demônio do destino
O homem sempre será o guri
E um dia sentirá em si
Uma medonha ansiedade
Mal sabe que, em sua mente
Traz plantada a semente
Que vai florir a saudade



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