Exibições da letra 8
Letra

    Acordo e logo abro a cortina
    Eu vejo o Sol já está queimando
    Jovens escorados na esquina
    De mão em mão, já estão passando

    Os muros pichados no final da rua
    Tem desenhos de palhaço e caveiras
    Essa é a realidade crua
    Das periferias que são prateleiras

    Onde se oferecem sentimentos
    Vendem todos na promoção
    Quando se conhece o sofrimento
    De uma família sem condição

    Eu vejo moleques correndo na poeira
    Enquanto suas mães vão se prostituir
    Essa é a sociedade verdadeira
    Que a mídia esconde, tenta excluir

    Eu vejo meninas perder a inocência
    Muito mais cedo do que devia ser
    Eu vejo muita gente pedir resistência
    Mas vejo muito mais pagando pra não ver

    A bandeira do estado está manchada
    Pela cor do sangue que se derramou
    Bem alto no mastro, está hasteada
    Eu vejo os furos da bala que a facção atirou

    Onde está aquele velho profeta
    Que um dia disse que o mundo iria mudar
    Já enterraram o último poeta
    Que ainda podia rimar

    Vejo nas calçadas o refletir da Lua
    Crianças brincando sem nada temer
    Linhas escritas na lama
    Poesia de rua
    Que algum sonhador foi escrever

    Vejo as garotas quase nuas
    Na curva da estrada sob a luminária
    Essa é a realidade crua
    De uma sociedade precária

    As mentes humanas estão confinadas
    A uma prisão perpétua
    Para o corredor da morte estão condenadas
    Rumo a cadeira elétrica

    Corações vazios, e bocas cheias
    Cérebros a se decompor
    Eu vejo o ódio, correndo mas veias
    Eu vejo a raiva vencer o amor

    O sangue escorre do corpo do inocente
    Aos poucos vai apodrecendo
    Aos poderes do ódio, o homem é conivente
    Aos domínios das trevas vai se perdendo

    Vejo nas calçadas o refletir da Lua
    Crianças brincando sem nada temer
    Linhas escritas na lama
    Poesia de rua
    Que algum sonhador foi escrever

    Vejo as garotas quase nuas
    Na curva da estrada sob a luminária
    Essa é a realidade crua
    De uma sociedade precária

    Loucuras modernas
    Seguem seu compasso
    Ao abrir das pernas
    No fechar dos abraços

    O mundo invertido
    Causa tanta dor
    Prazeres corrompidos
    Perdeu-se o valor

    Esforço diário
    É tudo o que me resta
    Enquanto no plenário
    Discutem qual será o salgado da festa
    É como chamar de otário
    O Brasileiro que ainda presta

    Vejo nas calçadas o refletir da Lua
    Crianças brincando sem nada temer
    Linhas escritas na lama
    Poesia de rua
    Que algum sonhador foi escrever

    Vejo as garotas quase nuas
    Na curva da estrada sob a luminária
    Essa é a realidade crua
    De uma sociedade precária


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