
O Avô Cavernoso
Zeca Afonso
Crítica ao regime salazarista em “O Avô Cavernoso”
Em “O Avô Cavernoso”, Zeca Afonso utiliza imagens como “o avô cavernoso” e “vinte mil léguas de virgens” para construir uma crítica irônica e indireta ao regime salazarista, especialmente a figuras como Salazar e o Cardeal Cerejeira. O “avô cavernoso” representa um líder envelhecido, autoritário e distante, que impõe regras (“instituiu a chuva”, “ratificou a demora”) e se cerca de rituais vazios (“persignou-se”, “perfumou-se”). No entanto, ao final, esse líder perde o respeito e o lamento do povo (“ninguém o chora agora”).
A letra aposta em uma linguagem surrealista e simbólica para driblar a censura, como nas imagens de “flores de malva” e “vinte mil léguas de virgens vieram / inúteis e despidas”, que sugerem promessas de pureza e renovação frustradas. Elementos como a “boina bem segura sobre a calva” e a “tonsura” reforçam a crítica à aliança entre poder político e religioso, já que a tonsura é típica de clérigos. A “tenda dos milagres” e a “privada” ironizam a teatralidade e a hipocrisia desses líderes, enquanto o murchar das flores de malva simboliza a decadência do regime. O final, com “gritos, matinadas”, aponta para a esperança de mudança e resistência social.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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