Tradução gerada automaticamente

El Payador Perseguido
Atahualpa Yupanqui
O Cantor Perseguido
El Payador Perseguido
Com licença, vou entrarCon permiso via a dentrar
Embora não seja convidadoAunque no soy convidao
Mas na minha terra, um churrascoPero en mi pago, un asao
Não é de ninguém e é de todosNo es de naides y es de todos
Eu vim cantar do meu jeitoYo via cantar a mi modo
Depois que já tiver assadoDespués que haiga churrasquiao
Não tenho Deus pra pedirNo tengo Dios pa pedir
Uma folguinha nessa ocasiãoCuartiada en esta ocasión
Nem posso pedir perdãoNi puedo pedir perdón
Se ainda não fiz nada de erradoSi entuavía no hei faltao
Veremos quando tudo acabarVeré cuando haiga acabao
Mas isso é outra questãoPero ésa es otra cuestión
Eu sei que muitos dirãoYo sé que muchos dirán
Que peco por ousadiaQue peco de atrevimiento
Se solto meu pensamentoSi largo mi pensamiento
Pro caminho que já escolhiPa'l rumbo que ya elegí
Mas sempre fui assimPero siempre hei sido ansí
Cavalgador contra o ventoGalopiador contra el viento
Isso eu levo na veiaEso lo llevo en la sangre
Desde meu tataravôDende mi tatarabuelo
Gente pé no chãoGente de pata en el suelo
Foram meus antepassadosFueron mis antepasaos
Crioulos de quatro provínciasCriollos de cuatro provincias
E com índios misturadosY con indios misturaos
Meu avô foi carreteiroMi agüelo fue carretero
Meu pai foi domadorMi tata fue domador
Nunca procurou um doutorNunca se buscó un doctor
Pois curavam com ervasPues curaban con yuyos
Ou ouvindo os murmúriosO escuchando los murmuyos
De um estilo da minha florDe un estilo de mi flor
Como bom rancho de caipiraComo buen rancho paisano
Nunca faltou uma cordaNunca faltó una encordada
Daquelas que parecem nadaDe ésas que parecen nada
Mas que são sonorasPero que son sonadoras
Conforme o canto e a horaSegún el canto y la hora
A alma ficava massageadaQuedaba el alma sobada
Meu pai era sábioMi tata era sabedor
Pelo muito que rodouPor lo mucho que ha rodao
E depois que tinha cantadoY después que había cantao
Desafinava a quarta e a primaDestemplaba cuarta y prima
E colocava um poncho por cimaY le echaba un poncho encima
Pra não falar demaisPa que no hable demasiado
A sangue tem razõesLa sangre tiene razones
Que fazem engordar as veiasQue hacen engordar las venas
Dor sobre dor e penasPena sobre pena y penas
Fazem a gente gritarHacen que uno pegue el grito
A areia é um punhadinhoLa arena es un puñadito
Mas há montanhas de areiaPero hay montañas de arena
Não sei se meu canto é lindoNo sé si mi canto es lindo
Ou se será meio tristeO si será medio triste
Nunca fui canário, nem existeNunca fui zorzal, ni existe
Plumagem mais ordináriaPlumaje más ordinario
Eu sou pássaro corsárioYo soy pájaro corsario
Que não conhece o alpisteQue no conoce el alpiste
Voo porque não me arrastoVuelo porque no me arrastro
Que arrastar-se é a ruínaQue el arrastrarse es la ruina
Ninho em árvore de espinhosAnido en árbol de espinas
Assim como na cordilheiraLo mesmo que en cordillera
Sem ouvir as bobagensSin escuchar las zonceras
De quem voa como galinhaDel que vuela a lo gallina
Não me aproximo assimNo me arrimo así nomás
Dos jardins floridosA los jardines floridos
Sem querer vivo avisadoSin querer vivo advertido
Pra não pisar no palitoPa' no pisar el palito
Há pássaros que sozinhosHay pájaros que solitos
Se prendem por serem presumidosSe entrampan por presumidos
Embora muito tenha sofridoAunque mucho he padecido
Não me prende a prudênciaNo me engrilla la prudencia
É uma falsa experiênciaEs una falsa experiencia
Viver tremendo a tudoVivir temblándole a todo
Cada um tem seu modoCada cual tiene su modo
A rebeldia é minha essênciaLa rebelión es mi cencia
Pobre nasci e pobre vivoPobre nací y pobre vivo
Por isso sou delicadoPor eso soy delicao
Estou com os da minha laiaEstoy con los de mi lao
Apertando todos juntosCinchando tuitos parejos
Pra fazer novo o que é velhoPa' hacer nuevo lo que es viejo
E ver o mundo mudadoY verlo al mundo cambiao
Eu sou do povoYo soy de los del montón
Não sou flor de estufaNo soy flor de invernadero
Sou como o trevo pampeanoSoy como el trébol pampero
Cresço sem fazer barulhoCrezco si hacer barullo
Me aperto contra as ervasMe apreto contra los yuyos
E assim aguento o pampeiroY así lo aguanto al pampero
Acostumado às serrasAcostumbrao a las sierras
Nunca me sei marearYo nunca me sé marear
E se me sinto elogiadoY si me siento alabar
Vou indo devagarMe voy yendo despacito
Mas aquele que é metidoPero aquel que es compadrito
Paga pra se fazer notarPaga pa' hacerse nombrar
Se alguém me chama de senhorSi alguien me dice señor
Agradeço a homenagemAgradezco el homenaje
Mas sou gaúcho entre os gaúchosMás, soy gaucho entre el gauchaje
E sou nada entre os sábiosY soy nada entre los sabios
E são pra mim os agravosY son pa' mí los agravios
Que fazem ao povoQue le hacen al paisanaje
A vaidade é erva daninhaLa vanidá es yuyo malo
Que envenena toda hortaQue envenena toda huerta
É preciso estar alertaEs preciso estar alerta
Manejando o enxadãoManejando el azadón
Mas não falta o homemPero no falta el varón
Que a rega até na sua portaQue la riegue hasta en su puerta
O trabalho é coisa boaEl trabajo es cosa buena
É o melhor da vidaEs lo mejor de la vida
Mas a vida é perdidaPero la vida es perdida
Trabalhando em campo alheioTrabajando en campo ajeno
Uns trabalham como trovãoUnos trabaja de trueno
E é pra outro a chuvaY es para otro la llovida
Trabalhei em uma pedreiraTrabajé en una cantera
De pedrinhas de afiarDe piedritas de afilar
Quarenta sabiam pagarCuarenta sabían pagar
Por cada pedra polidaPor cada piedra pulida
E era a seis pesos vendidasY era a seis pesos vendidas
Nesse negócioEn eso del negociar
Mal o Sol saíaApenas el Sol salía
Já estava a marteladasYa estaba a los martillazos
E entre dois a abraçosY entre dos a los abrazos
Com os tamanhos pé-grandesCon los tamaños piegrones
E por aqueles moldesY por esos moldejones
As mãos feitas em pedaçosLas manos hechas pedazos
Outra vez fui padeiroOtra vez fui panadero
E lenhador em um quebra-cháY hachero en un quebrachal
Carreguei blocos de salHe cargao bloques de sal
E também descasquei canasY también he pelao cañas
E um punhado de outras façanhasY un puñado de otras hazañas
Pra meu bem ou pra meu malPa' mi bien o pa' mi mal
Buscando me desanalfabetizarBuscando de desasnarme
Fui ajudante de cartórioFui pinche d escribanía
A letra miúda faziaLa letra chiquita hacía
Pra não desperdiçar seloPa' no malgastar sellao
E era também apertadoY era también apretao
O salário que recebiaEl sueldo que recibía
Cansado de tantas misériasCansao de tantas miserias
Me mandei pro TucumãMe largué pa'l Tucumán
Lapacho, aliso, arrayánLapacho, aliso, arrayán
E machado com os algarrobosY hacha con los algarrobos
Um e cinquenta! Era roubo¡Uno cincuenta! Era robo
Pra que um tenha esse afãPa' que uno tenga ese afán
Sem estar fixo em um ladoSin estar fijo en un lao
A todo trabalho eu faziaA toda labor le hacía
E assim aconteceu que um diaY ansí sucedió que un día
Que andava de benteveoQue andaba de benteveo
Me deparei com um rebanhoMe topé con un arreo
Que vinha de SaltaQue dende Salta venía
Me deu vontade de andarMe picó ganas de andar
E conversei com o capatazY apalabré al capataz
E assim, de repenteY ansí, de golpe nomás
O homem me perguntouEl hombre me preguntó
Tem mula? Como não¿Tiene mula? Cómo no
Eu disse e fome, de maisLe dije y hambre, de más
Na semana daquiloA la semana de aquello
Repetia cordilheirasRepechaba cordilleras
Encostas, subidas e ladeirasFaldas, cuestas y laderas
Sempre pro lado do poenteSiempre pa'l lao del poniente
Bebendo água de vertenteBebiendo agua de vertiente
E aguentando as solasY aguantando las soleras
Talvez outro tenha rodadoTal vez otro habrá rodao
Tanto quanto eu rodeiTanto como he rodao yo
E lhe juro, creiam-meY le juro, creameló
Que vi tanta pobrezaQue he visto tanta pobreza
Que pensei com tristezaQue yo pensé con tristeza
Deus por aqui não passouDios por aquí no pasó
Uma vaca se despencouSe nos despeñó una vaca
Causa da cerraçãoCausa de la cerrazón
E nos pegou a oraçãoY nos pilló la oración
Despelando e fazendo assadoCuereando y haciendo asao
Desde esse dia, cunhadoDende ese día, cuñao
Se me gastou meu facãoSe me gastó mi facón
Me sacudi das geadasMe sacudí las escarchas
Quando desci dos AndesCuando bajé de los Andes
E andei em grandes estânciasY anduve en estancias grandes
Cuidando de uns parelhosCuidando unos parejeros
Trompeta, tapa e chapéuTrompeta, tapa y sombrero
Mas pros peões, de ondePero pa' los peones, de ande
A peonada, ao ar livreLa peonada, al descampao
O patrão, em Buenos AiresEl patrón, en Güenos Aires
Nós, o cu ao arNosotros, el cu ello al aire
Com as caras molhadasCon las caronas mojadas
E a fazenda de invernadaY la hacienda de invrnada
Mais reluzente que um fradeMás relumbrona que un fraile
O estancieiro tinhaEl estanciero tenía
Também seus canaviaisTambién sus cañaverales
E nos tempos de outonoY en los tiempos otoñales
Juntávamos os andrajosJuntábamos los andrajos
E íamos pra baixoY nos íbamos p'abajo
Deixando os pedregaisDejando los pedregales
Lá nos amontoavamAllí nos amontonaban
Em lote com outros crioulosEn lote con otros criollos
Cada um buscava um buracoCada cual buscaba un hoyo
Onde se esconderAnde quinchar su guarida
E passávamos a vidaY pasábamos la vida
Sofrendo e sem apoioRigoriaos y sin apoyo
Faltar, não faltava nadaFaltar, no faltaba nada
Vinho, café e alpargatasVino, café y alpargatas
Se eu revolvi as patasSi habré revoliao las patas
Em gatos e chacarerasEn gatos y chacareras
Recién a coisa era feiaRecién la cosa era fiera
Ao ir cobrar as latasAl dir a cobrar las latas
Que vida mais desigual!¡Que vida más despareja!
Tudo é ruindade e patranhaTodo es ruindad y patraña
Descascar cana é uma façanhaPelar caña es una hazaña
De quem nasceu pra rigorDel que nació pa'l rigor
Lá havia um só dulçorAllá había un solo dulzor
E estava dentro da canaY estaba adentro e' la caña
Era um consolo pro pobreEra un consuelo pa'l pobre
Andar cheirando a vinachoAndar jediendo a vinacho
Homens grandes e meninosHombres grandes y muchachos
Como malditos em vidaComo malditos en vida
Escravos da bebidaEsclavos de la bebida
Se passavam bêbadosSe la pasaban borrachos
Tristes domingos do sul¡Tristes domingos del surco
Os que eu vi e vivi!Los que yo he visto y vivido!
Desparramados e dormidosDesparramaos y dormidos
Na areia amanheciamEn la arena amanecían
E o melhor sonhavamY lo mejor soñarían
Com a morte ou o esquecimentoCon la muerte o el olvido
Riojanos e santiagueñosRiojanos y santiagueños
Salteños e tucumanosSalteños y tucumanos
Com o facão na mãoCon el machete en la mano
Viravam canas madurasVolteaban cañas maduras
Passando as amargurasPasando las amarguras
E aguentando como irmãosY aguantando como hermanos
Rancho coberto com malva¡Rancho techao con maloja
Moradia do pelador!Vivienda del pelador!
No meio desse rigorEn medio de ese rigor
Não faltava uma vihuelaNo faltaba una vihuela
Com que o pobre se consolaCon que el pobre se consuela
Cantando coplas de amorCantando coplas del amor
Eu também, que desde garotoYo también, que desde chango
Unido ao canto cresciUnido al canto crecí
Mais de um barato pediMás de un barato pedí
E pros peões cantavaY pa' los piones cantaba
O que a eles acontecia¡Lo que a ellos les pasaba
Também me acontecia a mim!También me pasaba a mí!
Quando eu aprendi a cantarCuando yo aprendí a cantar
Armava com poucos rolosArmaba con pocos rollos
E na beira de um arroioY en la orilla de un arroyo
Debaixo das ramas de um salgueiroBajo las ramas de un sauce
Cresci olhando no leitoCrecí mirando en el cauce
Meus sonhos de pobre criolloMis sueños de pobre criollo
Quando senti uma alegriaCuando sentí una alegría
Quando uma dor me golpeouCuando un dolor me golpió
Quando uma dúvida mordeuCuando una duda mordió
Meu coração de caipiraMi corazón de paisano
Do fundo dos camposDesde el fondo de los llanos
Veio um canto e me curouVino un canto y me curó
Naqueles tempos passavamEn esos tiempos pasaban
Coisas que não passam maisCosas que no pasan ya
Cada um tinha um cantarCada cual tenía un cantqar
Ou copla de noite passadaO copla de anochecida
Formas de curar a feridaFormas curar la herida
Que sangra no dia a diaQue sangra en el trajinar
Alguns cantavam bemAlgunos cantaban bien
Outros, pobres, mais ou menosOtros, pobres, más o menos
Mas não eram cantos alheiosMás no eran cantos ajenos
Embora marca não tinhamAunque marca no tenían
E todos se entretinhamY todos se entretenían
Guitarreando até o amanhecerGuitarreando hasta el desvelo
Por ali se chegava um mestrePor áhi se allegaba un máistro
Desses de letras de cidadeDe esos puebleros letraos
Juntava a turma de versadosJuntaba tropa e versiaos
Que iam depois a um livroQue iban después a un libraco
E o homem forrava o sacoY el hombre forraba el saco
Com o que outros pensaramCon lo que otros han pensao
Os peões formavam versosLos piones formaban versos
Com suas antigas doresCon sus antiguos dolores
Depois vinham os senhoresDespués viene los señores
Com um caderno na mãoCon un cuaderno en la mano
Copiam o canto caipiraCopian el canto paisano
E se acham escritoresY presumen de escritores
O criollo cuida de seu fleteEl criollo cuida su flete
Sua guitarra e sua mulherSu guitarra y su mujer
Sente que enfrenta um deverSiente que enfrenta un deber
Cada vez que dá a mãoCada vez que da la mano
E embora pra tudo é baqueanoY aunque pa' todo es baquiano
Só o canto há de perderSolo el canto ha de perder
Coplas que o acompanharam¡Coplas que lo acompañaron
Nas quebradas desertasEn los quebradas desiertas
Aromas de flores mortasAromas de flores muertas
E de patriadas vividasY de patriadas vividas
Foram a luz acesaFueron la luz encendida
Para suas noites acordadas!Para sus noches despiertas!
Se aflije se se perdeSe aflije si se le pierde
Um bozal, um manejadorUn bozal, un maneador
Mas não sente furorPero no siente furor
Se ao ouvir uma trovaSi al escucharle una trova
Vem um pueblero e lhe roubaViene un pueblero y le roba
Seu melhor canto de amorSu mejor canto de amor
Com certeza, se um pensaDe seguro, si uno piensa
Encontra o nó da meadaLe halla el nudo a la madeja
Porque a copla mais velhaPorque la copla más vieja
Como a raiz da vidaCómo la ráiz de la vida
Tem a alma por abrigoTiene el alma por guarida
Que é onde aninham as queixasQue es ande anidan las quejas
Por isso o homem ao cantarPor eso el hombre al cantar
Com emoção verdadeiraCon emoción verdadera
Joga sua pena pra foraEcha su pena p'ajuera
Pra que a levem os ventosPa que la lleven los vientos
E assim, pelo menos um momentoY ansí, siquiera un momento
Se alivia sua angústiaSe alivia su embichadera
Não é que não ame sua trovaNo es que no ame su trova
Nem que despreze seu cantoNi que desprecee su canto
É como quando um quebrantoEs ciomo cuando un quebranto
Na noite dos camposEn la noche de los llanos
Faz afrouxar o caipiraHace aflojar al paisano
E o vento leva o choroY el viento le lleva el llanto
Em assuntos de cantarEn asuntos del cantar
A vida nos vai ensinandoLa vida nos va enseñando
Que só se vai voandoQue solo se va volando
A copla que é levinhaLa copla que es livianita
Sempre caça pombinhasSiempre caza palomitas
Qualquer um que anda caçandoCualquiera que anda cazando
Mas se o canto é protestoPero si el canto es protesta
Contra a lei do patrãoContra la ley del patrón
Se arrasta de peão a peãoSe arrastra de peón a peón
Em um profundo murmúrioEn un profundo murmuyo
E marcha ao ras das ervasY marcha al ras de los yuyos
Como chasque em um malónComo chasque en un malón
Podem se perder mil trovasSe pueden perder mil trovas
Onde se cantem amoresAnde se canten quereres
Versos de alegrias, prazeresVersos de dichas, placeres
Corridas e diversõesCarreras y diversiones
Suspiros de coraçõesSuspiros de corazones
E líricos padecimentosY líricos padeceres
Mas se a copla conta¡Pero si la copla cuenta
Da história do povoDel paisanaje la historia
Onde o peão vira a noriaAnde el peón vueltea la noria
Das misérias sofridasDe las miserias sufridas
Essa, fica presaÉsa, se queda prendida
Como abrojo na memória!Como abrojo en la memoria!
O que nos fez felizesLo que nos hizo dichoso
Talvez se possa esquecerTal vez se pueda olvidar
Os anos em seu passarLos años en su pasar
Mudarão os pensamentosMudarán los pensamientos
Mas angústias e tormentosPero angustias y tormentos
São marcas que hão de durarSon marcas que han de durar
Essas coisas que eu pensoEstas cosas que yo pienso
Não saem por acasoNo salen por ocurrencia
Pra formar minha experiênciaPara formar mi esperencia
Eu mastigo antes de engolirYo masco antes de tragar
Foi longo o rodarHa sido largo el rodar
De onde tirei a advertênciaDe ande saqué la advertencia
Se um toca a guitarraSi uno pulsa la guitarra
Pra cantar coisas de amorPa cantar cosas de amor
De potros, de domadorDe potros, de domador
Da serra e das estrelasDe la sierra y las estrellas
Dizem: Que coisa mais bela!Dicen: ¡Qué cosa más bella!
Se canta que é um primor!¡Si canta que es un primor!
Mas se um, como FierroPero si uno, como Fierro
Por ali se larga opinandoPor áhi se larga opinando
O pobre se vai aproximandoEl pobre se va acercando
Com as orelhas atentasCon las orejas alertas
E o rico vê a portaY el rico vicha la puerta
E se afasta recuandoY se aleja reculando
Deve traçar bem sua melodiaDebe trazar bien su melga
Quem se tem por cantorQuien se tenga por cantor
Porque só o impostorPorque solo el impostor
Se acomoda em toda pegadaSe acomoda en toda huella
Que escolha uma só estrelaQue elija una sola estrella
Quem quiser ser semeadorQuien quiera ser sembrador
Na hora de escolherEn el trance de elegir
Que o homem olhe pra dentroQue mire el hombrep'adentro
Onde se fazem os encontrosAnde se hacen los encuentros
De pensamentos e sentimentosDe pensares y sentires
Depois que atire onde atireDespués que tire ande tire
Com a consciência por centroCon la concencia por centro
Há diferentes montõesHay diferentes montones
Uns grandes e outros pequenosUnos grandes y otros chicos
Se vai pro montão do ricoSi va pa'l montón del rico
O pobre que pensa poucoEl pobre que piensa poco
Atrás dos equívocosDetrás de los equívocos
Vêm os perjuricosSe vienen los perjuricos
Eu venho de muito abaixoYo vengo de muy abajo
E muito acima não estouY muy arriba no estoy
Ao pobre meu canto douAl pobre mi canto doy
E assim passo contenteY así lo paso contento
Porque estou no meu elementoPorque estoy en mi elemento
E aí valho pelo que souY áhi valgo por lo que soy
Se alguma vez canteiSi alguna vuelta he cantao
Diante de patrões barrigudosAnte panzudos patrones
Fui picaneando as razõesHe picaneao las razones
Profundas do pobrerioProfundas del pobrerío
Eu não traio os meusYo no traiciono a los míos
Por palmas nem pataconesPor palmas ni patacones
Embora cante em todo rumoAunque canto en todo rumbo
Tenho um rumo preferidoTengo un rumbo preferido
Sempre cantei estremecidoSiempre canté estremecido
As penas do povoLas penas del paisanaje
A exploração e o ultrajeLa explotación y el ultraje
De meus irmãos queridosDe mis hermanos queridos
Pra que mudassem as coisasPa que cambiaran las cosas
Busquei rumo e me perdiBusqué rumbo y me perdí
Com o tempo, percebiAl tiempo, cuenta me di
E peguei por bom caminhoY agarré por buen camino
Antes de tudo, argentino¡Antes que nada, argentino
E a minha bandeira segui!Y a mi bandera seguí!
Eu sou do norte e do sulYo soy del norte y del sur
Do campo e do litoralDel llano y del litoral
E ninguém tome a malY nadie lo tome a mal
Se há mil gramas no quiloSi hay mil gramos en el kilo
Onde quer que eu esteja tranquiloAnde quiera estoy tranquilo
Mas montado, sou bagualPero ensillao, soy bagual
O cantor deve ser livreEl cantor debe ser libre
Pra desenvolver sua essênciaPa desarrollar su cencia
Sem buscar a conveniênciaSin buscar la conveniencia
Nem se alistar com padrinhosNi alistarse con padrinos
Desses caminhos obscurosDe esos oscuros caminos
Eu já tenho a experiênciaYo ya tengo la experiencia
Eu canto, por ser antigosYo canto, por ser antiguos
Cantos que já são eternosCantos que ya son eternos
E até parecem modernosY hasta parecen modernos
Pelo que neles vemosPor lo que en ellos vichamos
Com o canto nos tapamosCon el canto nos tapamos
Pra aquecer os invernosPara entibiar los inviernos
Eu não canto aos tiranosYo no canto a los tiranos
Nem por den do patrãoNi por den del patrón
O pilantra e o trapalhãoEl pillo y el trapalón
Que se arranjem por seu ladoQue se arreglen por su lado
Com payadores compradosCon payadores comprados
E cantores de salãoY cantores de salón
Pela força do meu cantoPor la fuerza de mi canto
Conheço cela e penalConozco celda y penal
Com ferocidade sem igualCon fiereza sin igual
Mais de uma vez fui golpeadoMás de una vez fui golpiáo
E ao calabouço jogadoY al calabozo tirao
Como lata no lixoComo tarro al basural
Pode-se matar um homemSe puede matar a un hombre
Podem queimar sua casaPueden su rancho quemar
Destruir sua guitarraSu guitarra destrozar
Mas o ideal da vida¡Pero el ideal de la vida
Esse é lenha acesaEsa es leñita prendida
Que ninguém há de apagar!Que naides ha de apagar!
Os maus se vão se levantandoLos malos se van alzando
Tudo o que acham por aíTodo lo que hallan por áhi
Como grãos de milhoComo granitos de máiz
Semear os piores exemplosSiembran los peores ejemplos
E desmorona o temploY se viene abajo el templo
Da decência do paísDe la decencia del país
Atrás do barulho do ouroDetrás del ruido del oro
Vão os malandros como gadoVan los maulas como hacienda
Não há frouxo que não se vendaNo hay flojo que no se venda
Por uma moeda sujaPor una sucia moneda
Mas sempre em minha Pátria ficaMás siempre en mi Patria queda
Povo que a defendaGauchaje que la defienda
Cantor que cante aos pobresCantor que cante a los pobres
Nem morto há de se calarNi muerto se ha de callar
Pois onde quer que vá pararPues ande vaya a para
O canto desse cristãoEl canto de ese cristiano
Não há de faltar o caipiraNo ha de faltar el paisano
Que o faça ressuscitarQue lo haga resucitar
Hoje que saiu um pouquinhoHoy que ha salido un poquito
De Sol pro trabalhadorDe Sol pa'l trabajador
Não falta mais de um cantorNo falta más de un cantor
Que o cante livrementeQue lo cante libremente
Mas sabe muita gentePero sabe mucha gente
Que primeiro cantei euQue primero canté yo
O estancieiro presumeEl estanciero presume
De gauchismo e arrogânciaDe gauchismo y arrogancia
Ele acredita que é extravagânciaÉl cree que es extravagancia
Que seu peão viva melhorQue su peón viva mejor
Mas, não sabe esse senhorMás, no sabe ese señor
Que por seu peão tem estânciaQue por su peón tiene estancia
Aquele que tiver seus reaisAquel que tenga sus reales
Faz muito bem em cuidá-losHace muy bien en cuidarlos
Mas se quiser aumentá-losPero si quiere aumentarlos
Que a lei não se faça surdaQue la ley no se haga el sordo
Em todo caldeirão gordoEn todo puchero gordo
Os milhos se tornam marlosLos choclos se vuelve marlos
Uma vez, sem trabalhoUna vuelta, sin trabajo
Andava por TucumãAndaba por Tucumán
E em uma estalagem, onde vãoY en una fonda, ande van
Cantores de madrugadaCantores de madrugada
Me aproximei da payadaMe acerqué pa la payada
Que sempre foi meu afãQue siempre ha sido mi afán
Embora sentindo falta da montariaAunque extrañando la monta
Me empilhei a um instrumentoMe le apilé a un instrumento
E ao cabo de algum momentoY al cabo de algún momento
Dei passagem a uma bagualaLe di puerta a una baguala
Com uma coplita ralaCon una coplita rala
Daquelas que levam os ventosDe esas que llevan los vientos
Fora talvez a guitarraFuera tal vez la guitarra
Tão linda como soava!¡Tan lindo como sonaba!
Meu coração remontavaMi corazón remontaba
Tristezas dos caminhosTristezas de los caminos
E amaldiçoei o destinoY lo maldije al destino
Que tantas penas me davaQue tantas penas me daba
Um homem se aproximouUn hombre se me acercó
E me disse: O que faz aqui?Y me dijo: ¿Qué hace acá?
Viaje pra grande cidadeViaje pa la gran ciudad
Que lá vão te entenderQue allá lo van a entender
Aí terá fama, prazerAhí tendrá fama, placer
E grana pra darY plata pa regalar
Pra que o ouvi!¡Para que lo habré escuchao!
Se era a voz do Mandinga!¡Si era la voz del Mandinga!
Buenos Aires, cidade gringaBuenos Aires, ciudá gringa
Me teve muito apertadoMe tuvo muy apretao
Todos se faziam de ladoTuitos se hacían a un lao
Como corpo na seringaComo cu erpo a la jeringa
E isso que não vim pobreY eso que no vine pobre
Pois trazia alpargatas novasPues traiba alpargatas nuevas
As velhas pra quando choverLas viejas pa' cuando llueva
Na alforja as metiEn la alforja las metí
Uma calça cinzaUn pantalón color gris
E um paletó puxando pra leveY un saco tirando a leva
Saltando de rádio em rádioSaltando de radio en radio
Andei, imagineAnduve, figuresé
Quatro meses passeiCuatro meses me pasé
Em partidas malogradasEn partidas malogradas
Ninguém assegurava nadaNadie aseguraba nada
E sem grana fiqueiY sin plata me quedé
Vendi minhas alforjasVendí mis alforjas
Minha guitarra, a vendi!Mi guitarra, ¡la vendí!
Na minha pobreza, ai de mimEn mi pobreza, ay de mí
Me teria gostado guardá-laMe hubiera gustao guardarla
Tanto que me custou comprá-la!¡Tanto que me ha costao comprarla!
Mas, enfim, tudo perdiPero, en fin todo perdí
Vihuela, onde andarás¡Vihuela, dónde andarás
Que mãos te estão tocandoQué manos te están tocando
Noites eternas pensandoNoches eternas pensando
Pelo menos como consoloSiquiera como consuelo
Que seja um canto deste soloQue sea un canto de este suelo
O que te estão arrancando!Lo que te están arrancando!
Quando o milho está em pousioCuando el máiz está en barbecho
Luce uma cor brilhanteLuce un color brillantón
As fibras, como um nylonLas hebras, como un nailón
Presumem com suas belezasPresumen con sus lindezas
Mas abaixam a cabeçaPero agachan la cabeza
Se as pega o carvãoSi las agarra el carbón
Igual me passava a mimIgual me pasaba a mí
Naqueles tempos idosEn aquellos tiempos idos
Jovem, forte, presumidoJoven, fuerte, presumido
E quando acabou o queijoY cuando se acabó el queso
Voltei em um triste retornoVolví en un triste regreso
Pobres da alma de esquecimentosPoblada l'alma de olvidos
Coisas da juventudeCosas de la juventud
Maldita, onde andarás!¡Malhaya, dónde andarás!
Aura que estou batarazAura que estoy bataraz
De tanto mudar o cabeloDe tanto cambiar el pelo
Lembro aqueles desvelosRecuerdo aquellos desvelos
Mas não olho pra trásPero no miro p'atrás
Voltei pro TucumãMe volví pa'l Tucumán
Novamente a padecerNuevamente a padecer
E nisso de andar e verY en eso de andar y ver
Se passaram muitos anosSe pasaron muchos años
Entre penas, desenganosEntre penas, desengaños
Esperanças e prazeresEsperanzas y placer
Mas, não foi tempo perdidoMás, no jue tiempo perdido
Segundo vi depoisAsegún lo vi después
Porque soube bem como éPorque supe bien como es
A vida dos caipirasLa vida de los paisanos
De todos me senti irmãoDe todos me sentí hermano
Do direito e do avessoDel derecho y del revés
Sempre lembro os temposSiempre recuerdo los tiempos
Em que pedras passeiEn que iedras o pasé
Os cerros que atravesseiLos cerros que atravesé
Buscando o que não achavaBuscando lo que no hallaba
E até às vezes ficavaY hasta a veces me quedaba
Por esses campos a péPor esos campos de a pie
A vida me foi ensinandoLa vida me fue enseñando
O que vale uma guitarraLo que vale una guitarra
Por ela andei nas festasPor ella anduve en las farras
Talvez feito um estropícioTal vez hecho un estropicio
E quase me pegou o vícioY casi me agarró el vicio
Com suas garras invisíveisCon sus invisibles garras
Menos mal que dentro levoMenos mal que adentro llevo
O que a terra me deuLo que la tierra me dio
Pátria, raça ou sei láPatria, raza o que sé yo
Mas que me ia salvandoPero que me iba salvando
E assim, segui caminhandoY así, seguí caminando
Pelos caminhos de DeusPor los caminos de Dios
A coisa estava em pensarLa cosas estaba en pensar
Que ao tocar o instrumentoQue al pulsar el instrumento
Há que dar com sentimentoHay que dar con sentimiento
Toda a força camponesaToda la fuerza campera
Mas ninguém larga pra foraPero nadie larga afuera
Se não tem nada dentroSi no tiene nada adentro
A guitarra é pau ocoLa guitarra es palo hueco
E pra tocar algo bomY pa tocar algo bueno
O homem deve estar cheioEl hombre debe estar lleno
De claridades internasDe claridades internas
Pra semear coplas eternas¡Pa sembrar coplas eternas
A vida é um bom terreno!La vida es un buen terreno!
Se rezar traz consolosSi el rezar brinda consuelos
Ao que precisa de consoloAl que consuelo precisa
Igual que cristão em missaIgual que cristiano en misa
Ou matrero em meio ao monteO matrero en medio 'el monte
Eu rezo nos horizontesYo rezo en los horizontes
Quando a tarde agonizaCuando la tarde agoniza
Fica calada a pampaQueda callada la pampa
Quando se ausenta a luzCuando se ausenta la luz
O chajá e o avestruzEl chajá y el avestruz
Vão buscando a espessuraVan buscando la espesura
E se amplia na planícieY se agranda en la llanura
A solidão do ombúLa soledad del ombú
Então, igual a um ponchoEntonces, igual que un poncho
A terra envolve umA uno lo envuelve la tierra
Desde o campo até a serraDesde el llano hasta la sierra
Se vai uma sombra se estendendoSe va una sombra extendiendo
E a alma vai compreendendoY el alma va comprendiendo
As coisas que o mundo encerraLas cosas que el mundo encierra
Aí está o justo momentoAhí está el justo momento
De pensar no destinoDe pensar en el destino
Se o homem é um peregrinoSi el hombre es un peregrino
Ou busca amor e carinhoO busca amor y querencia
Ou se cumpre a sentençaO si cumple la sentencia
De morrer nos caminhosDe morir en los caminos
No Norte vi coisasEn el Norte vide cosas
Que já nunca vou esquecerQue ya nunca he de olvidar
Eu vi gaúchos brigarYo vide gauchos peliar
Com facões caronerosCon facones caroneros
Ou com machetes cañerosO con machetes cañeros
Que o ver fazia tremerQue el verlos hacía temblar
Rara vez mata o caipiraRara vez mata el paisano
Porque esse instinto não temPorque ese instinto no tiene
O duelo criollo se avinhaEl duelo criollo se aviene
Por não recuar nem um passoPor no recular ni un tranco
Faz saber que não é mancoHace saber que no es manco
E em brigar se entretémY en el peliar se entretiene
Não há serrano sanguinárioNo hay serrano sanguinario
Nem coya conversadorNi coya conversador
O mais capaz domadorEl más capaz domador
Jamais conta suas façanhasJamás cuenta sus hazañas
E não se tenta a canaY no les tienta la caña
Porque o morao é melhorPorque el morao es mejor
Cada pago se aficionaCada pago se aficiona
A uma forma de brigarA una forma de peliar
E aquele que quiser guapearY aquel que quiera guapear
Antes terá que advertirAntes tendrá que advertir
Que pra saber sairQue para saber salir
Há que aprender a entrarHay que aprender a dentrar
Se agarram a socosSe agarran a puñetazos
Igual que em qualquer parteIgual que en cualesquier parte
Mas é uma ciência à partePero es una cencia aprte
Usar os modos do pagoUsar los modos del pago
Aí se põe fero o tragoAhí se pone fiero el trago
Como disse don NarvarteComo dijo don Narvarte
Cordobês, pra pegadaCordobés, pa la pegrada
Riojano, pra rebentaçãoRiojano, pa'l rebecaso
Chileno, pra cavalgadaChileno, pa'l caballaso
Salteño, com faca na mãoSalteño, con daga en mano
E é um rei o tucumanoY es un rey el tucumano
Pra brigar a cabeçadasPa peliar a cabezasos
Sempre o criollo há de brigarSiempre el criollo ha de peliar
De noite e meio machadoDe noche y medio machao
É uma pena, cunhadoEs una pena, cuñao
Que às vezes por uma tunaQue a veces por una tuna
Se nublam noites de LuaSe nublen noches de Luna
E céus estreladosY cielitos estrellaos
Uma canção sai fácilUna canción sale fácil
Quando um quer cantarCuando uno quiere cantar
Questão de ver e pensarCuestión de ver y pensar
Sobre as coisas do mundoSobre las cosas del mundo
Se o rio é largo e profundoSi el río es ancho y profundo
Cruzo o que sabe nadarCruzo el que sabe nadar
Que outros cantem alegriasQue otros canten alegrías
Se é que alegres viveramSi es que alegres han vivido
Que eu também soubeQue yo también he sabido
Dormir nesses enganosDormirme en esos engaños
Mas foram mais os anosPero han sido más los años
De porradões recebidosDe porrazos recibidos
Ninguém poderá me apontarNadie podrá señalarme
Que canto por amargadoQue canto por amargao
Se passei o que passeiSi he pasao lo que he pasao
Quero servir de advertênciaQuiero servir de advertencia
O rodar não será ciênciaEl rodar no será cencia
Mas também não é pecadoPero tampoco es pecao
Eu andei pelo mundoYo he caminao por el mundo
Cruzei terras e maresHe cruzao tierras y mares
Sem fronteiras que me paremSin fronteras que me pare
E em qualquer abrigoY en cualesquiera guarida
Eu cantei, terra queridaYo he cantao, tierra querida
Tuas alegrias e tuas doresTus dichas y tus pesares
Às vezes, caem ao cantoA veces, caiban al canto
Como gado à aguadaComo vacaje a la aguada
Pra ouvir minhas versadasPara escuchar mis versadas
Homens de todos os ventosHombres de todos los vientos
Trançando seus sentimentosTrenzando sus sentimientos
Ao compasso da cordaAl compás de la encordada
Pobre daquele que não sabePobre de aquel que no sabe
Das belezas do cantoDel canto las hermosuras
A vida, a mais escuraLa vida, la más oscura
A que tem mais quebrasLa que tiene más quebrantos
Sempre encontrará no cantoHallará siempre en el canto
Consolo pra sua tristezaConsuelo pa su tristura
Dizem que não tem cantoDicen que no tiene canto
Os rios que são profundosLos ríos que son profundos
Mas eu aprendi neste mundoMás yo aprendí en este mundo
Que o que tem mais profundidadeQue el que tiene más hondura
Canta melhor por ser fundoCanta mejor por se hondo
E faz mil de sua amarguraY hace mil de su amargura
Com os tombos do caminhoCon los tumbos del camino
Entram a torcer as cargasSe entran a torcer las cargas
Mas é lei que em trilha longaPero es ley que en huella larga
Deverão se acomodarDeberán acomodarse
E aquele que chega a esquecerY aquel que llega a olvidarse
As há de passar amargasLas ha de pasar amargas
Amigos, vou deixarAmigos, voy a dejar
Está minha parte cumpridaEstá mi parte cumplida
Na forma preferidaEn la forma preferida
De uma milonga pampeanaDe una milonga pampeana
Cantei de maneira simplesCanté de manera llana
Certas coisas da vidaCiertas cosas de la vida
Agora me vou, não sei aondeAura me voy, no sé adónde
Pra mim todo rumo é bomPa' mí todo rumbo es güeno
Os campos, com ser alheiosLos campos, con ser ajenos
Os cruzo de um galopinhoLos cruzo de un galopito
Abrigo não precisoGuarida no necesito
Eu sei dormir ao serenoYo sé dormir al sereno
Sempre há alguma taperaSiempre hay alguna tapera
Na encosta de uma serraEn la falda de una sierra
E enquanto seguir esta guerraY mientras siga esta guerra
De injustiças pra mimDe injusticias para mí
Eu hei de pensar de láYo he de pensar desde allí
Canções pra minha terraCanciones para mi tierra
E embora me tirem a vidaY aunque me quiten la vida
Ou engrilhem minha liberdadeO engrillen mi libertad
E embora chamusquem talvez¡Y aunque chamusquen quizá
Minha guitarra nas fogueirasMi guitarra en los fogones
Hão de viver minhas cançõesHan de vivir mis canciones
Na alma dos demais!En l'alma de los demás!
Não me nomeiem, que é pecado¡No me nuembren, que es pecao
E não comentem meus trinos!Y no comenten mis trinos!
Eu me vou com meu destinoYo me voy con mi destino
Pro lado onde o Sol se perdePa'l lao donde el Sol se pierde
Talvez alguém se lembre¡Tal vez alguno se acuerde
Que aqui cantou um argentino!Que aquí cantó un argentino!



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