
Eu Sou Favela
Bezerra da Silva
Voz, orgulho e denúncia em “Eu Sou Favela”, de Bezerra
A música se apresenta como um pronunciamento oficial: “Em defesa de todas as favelas do meu Brasil / Aqui fala o seu embaixador”, transformando o samba em manifesto de representação. O refrão martelado “A favela é um problema social” desloca a questão do campo policial para o social e se alinha à postura de Bezerra da Silva, conhecido como “embaixador dos morros e favelas” e cronista das desigualdades. Ao repetir “A favela nunca foi reduto de marginal / Só tem gente humilde marginalizada”, ele inverte o estigma e denuncia a leitura distorcida que a grande mídia frequentemente alimenta.
A narrativa é de quem fala com autoridade de vivência: “eu sou favela / e posso falar de cadeira”. A letra constrói o quadro da exclusão com imagens concretas: “minha gente é trabalhadeira / e nunca teve assistência social” e “apenas só tem o direito / a um salário de fome”. O alvo central é o abandono do Estado. Quando aponta “Só sabe meter o baile na favela”, aciona a gíria com duplo sentido: pode ser “dar um baile” no sentido de enganar com promessa vazia, ou agir de modo opressivo, “passando por cima” de quem vive ali. Em ambos os casos, a crítica é à intervenção superficial ou violenta de quem deveria cuidar. O tom mistura indignação com orgulho e pertencimento, recurso típico de Bezerra para afirmar dignidade e desmontar preconceitos com a linguagem direta do morro.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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