Biografia: Ebony, a potência que redefiniu o trap nacional

Saiba tudo sobre a vida e a carreira de um dos grandes nomes do rap nacional feminino da atualidade!

Biografias · Por Ana Paula Marques

19 de Maio de 2026, às 12:00


Falar sobre a biografia de Ebony é entender como uma jovem da Baixada Fluminense sacudiu as estruturas da música urbana no Brasil.

ebony biografia
(Reprodução: Instagram)

A rapper Ebony já passou por viralização nas redes, discos elogiados e cravou seu lugar entre os nomes mais relevantes do rap feminino nacional. Continue lendo e conheça mais sobre a artista!

Tudo sobre Ebony: a biografia da rapper que conquistou o Brasil

Para começar pelo básico, se você quer descobrir qual é o nome real da rapper Ebony, a resposta é Milena Pinto de Oliveira. Ela nasceu em 27 de abril de 2000 e cresceu em Queimados, município da Baixada Fluminense do Rio de Janeiro.

Compreender por que a Ebony se chama Ebony revela muito sobre sua identidade. A escolha do nome artístico vem da palavra em inglês para ébano, uma madeira escura e densa, conhecida por sua resistência.

Desde cedo, Milena transitava entre música, moda e entretenimento, como algo natural. Ela cresceu ouvindo hip-hop e bandas como Avenged Sevenfold, Black Sabbath, Twenty One Pilots e Pink Floyd.

Início da carreira e como Ebony foi descoberta

Mesmo antes do começo da carreira no rap feminino, em 2018, Ebony viralizou no Twitter ao comentar o assassinato de Marielle Franco, revelando um posicionamento firme que depois marcaria sua carreira.

A entrada oficial na música acontece em 2019, com o lançamento de Cash Cash no SoundCloud. Sem planejamento estratégico ou estrutura, a faixa chamou atenção suficiente para abrir portas dentro da cena.

Ela assinou com uma gravadora em pouco tempo e soube que havia estourado quando foi reconhecida por uma cliente durante uma sessão de tranças. Ebony já revelou que, naquele primeiro momento, não havia planejamento. A única escolha consciente foi postar o áudio.

Logo vieram BratZ e Glossy, também em 2019, e o EP Condessa, em 2020, com seis faixas. O primeiro álbum de estúdio, Visão Periférica, chegou em novembro de 2021. Ela define o disco de trap com uma certa distância: “um momento de limitação artística”, porque a gravadora impunha restrições, inclusive sobre palavrões.

Espero Que Entendam: a disstrack que parou o Brasil e os principais sucessos

Novembro de 2023 marcou o capítulo mais comentado da biografia de Ebony até aquele momento: ela lançou Espero Que Entendam, que provocava alguns dos maiores nomes do rap brasileiro.

Os versos mencionam Filipe Ret, L7nnon, BK’, Baco Exu do Blues, Djonga, Xamã, entre outros, e, em três dias, já acumulava mais de 500 mil visualizações. O clipe ocupou o terceiro lugar entre os vídeos em alta no YouTube Brasil.

Mesmo assim, a rapper fez questão de deixar claro que o alvo não eram os artistas em si, e sim a estrutura que os cerca, a forma como o mercado e o público tratam homens e mulheres de forma completamente diferente dentro da cena.

A reação dos citados foi de abraço e elogio, o que gerou uma segunda onda de debate: para muitos fãs da rapper, a resposta foi condescendente.

Para Ebony, era questão de estratégia e de amizade, já que alguns dos citados são figuras próximas. “Se eles quiserem fazer uma diss também, estarei lá presente, respondendo muito quente”, disse ela, com bom humor.

O pós Visão Periférica e o sucesso de Terapia

Em outubro de 2023, Ebony lançou Terapia, seu segundo álbum, que bateu quase 2 milhões de plays no primeiro mês. O disco se afastou do trap de Visão Periférica e trouxe batidas com referências ao rap clássico, ao funk e até à disco music.

A faixa-título nasceu de uma sessão espontânea com a produtora Larinhx, e o nome do projeto veio da ideia de criar um espaço livre de julgamentos, sem moralismo e com empoderamento. Quem esperava algo sério levou, nas palavras dela, “um rajadão”.

O álbum foi construído com base em beats enviados por diferentes produtores da internet e em colaborações de estúdio com Larinhx.

Composto por nove faixas, o trabalho utilizou o humor e frases intencionalmente absurdas para criar um espaço livre de julgamentos, contrapondo-se à experiência negativa que a própria artista teve anos antes com sessões curtas na rede pública de saúde.

A polêmica da precursora do rap e trap sujo no Brasil

Pouco depois de Espero Que Entendam, Ebony se envolveu em uma nova polêmica ao publicar um vídeo no X declarando-se a pioneira do rap e do trap sujo no Brasil.

A afirmação atraiu duras críticas de fãs do gênero, que apontaram a existência de outras precursoras dessa vertente fora do eixo Rio-São Paulo.

Meses depois, Ebony refletiu publicamente sobre o ocorrido, revelando ter conversado com a rapper Duquesa e pedido desculpas por ter invalidado a vivência de outras mulheres pretas da cena.

Carreira atual de Ebony: KM2, From The Block e o Palácio do Planalto

A fase atual da biografia de Ebony é de muito amadurecimento. Em 2025, ela lançou KM2, disco eleito um dos melhores álbuns brasileiros do ano pela Rolling Stone Brasil.

Na obra, Ebony trata de temas como território, desigualdade racial e de gênero, relações pessoais e vulnerabilidades com uma franqueza que a colocou entre as melhores cantoras brasileiras da atualidade.

Em 2026, chegou KM2 (De Luxo), que revisita o disco com mais leveza, humor e um poema de sua autoria, Sangue Ruim – algo que ela sempre teve vergonha de mostrar, mas sentiu que era o momento certo.

“É muito meu dever refletir sobre o meu tempo”, disse, citando a Nina Simone como referência para esse senso de responsabilidade artística.

No mesmo período, Ebony se tornou a primeira brasileira a se apresentar no From The Block, série de performances que já recebeu grandes nomes internacionais do rap.

Ela também representou o hip-hop no Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, no Palácio do Planalto, na presença do presidente Lula, marco que Ebony recebeu com a consciência de que o Brasil ainda tem dívidas com mulheres negras jovens da favela.

Vida pessoal, identidade e curiosidades

O fato de que a rapper Ebony é LGBT surge de forma muito natural em sua trajetória. Ela própria já tratou o tema com abertura, seja em letras que falam de diferentes experiências afetivas ou em declarações públicas.

A artista foi adotada e, mais recentemente, encontrou sua família biológica. Nessa jornada, descobriu que foi fruto de um abuso sexual e também revelou ter sido vítima desse tipo de violência na infância e adolescência.

A expressão artística, de certa forma, tornou-se um canal para processar e transformar essas vivências.

Fora da música, Ebony faz aulas de canto e teatro, pinta quadros e já chegou a desenhar os próprios figurinos para shows. A rapper tem paixão declarada por artes plásticas e por escritoras negras, como Audre Lorde e Maya Angelou.

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(Reprodução: Instagram)

Sojourner Truth, ativista abolicionista do século XIX, aparece no interlúdio de KM2 (De Luxo) para conectar gerações de mulheres negras que fizeram a mesma pergunta em épocas diferentes.

A rapper “carioca bairrista”, que precisa voltar ao Rio para recarregar, mora em São Paulo desde os 19 anos. Ela passou os primeiros meses vivendo na casa da cantora Urias, o que ela descreve como fundamental para mantê-la humilde e focada.

Além da biografia de Ebony: conheça outras mulheres do rap brasileiro

Quem gostou da biografia de Ebony e quer conhecer outras vozes que estão transformando o rap com temática de empoderamento feminino tem que conferir nossa seleção de cantoras de rap brasileiro. Solte o play e descubra quem mais está movimentando a cena!

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