A história da música Balada do Louco, grande sucesso dos Mutantes

Analisando letras · Por Rafaela Damasceno

13 de Maio de 2021, às 12:00

Você sabia que Balada do Louco foi inspirada em um episódio vivido por Arnaldo Baptista na aula de karatê? Por mais inusitado que possa parecer, o cantor aproveitou a deixa e escreveu uma das letras brasileiras mais famosas e que já rendeu inúmeras versões.

Os Mutantes
Créditos: Divulgação

Posicionada entre as melhores músicas da banda Os Mutantes, além de ter uma história interessante, a sua mensagem também desperta muitas reflexões. 

Pensando nisso, que tal conferir a história da música Balada do Louco e as suas interpretações mais famosas? Então, continue lendo a seguir!

A história da música Balada do Louco

Na década de 1970, Os Mutantes já haviam conquistado o seu lugar no cenário musical brasileiro. Um dos seus hits, Balada do Louco, foi lançado em 1972 e tem uma história marcante. 

A música impactou o público não só pela letra cheia de figuras de linguagem como também pelos arranjos inovadores da melodia. O que muitos não sabem é que o seu processo de composição guarda uma curiosidade interessante. 

A letra foi composta inicialmente por Arnaldo Baptista, que na época fazia aulas de karatê. Golpeado por uma de suas colegas de tatame, ele se sentiu péssimo por ter apanhado de uma mulher

A partir daí, começou a refletir sobre o quanto as pessoas são diferentes e têm qualidades próprias, que as tornam especiais. Ele era homem e, na visão da sociedade, deveria ser o mais forte. Mas acabou derrotado por uma representante do “sexo frágil” 😐

Segundo o músico, no final de semana seguinte ao episódio fatídico, ele estava na casa do cunhado de Rita Lee e começou a ensaiar umas notas no piano. A letra veio logo em seguida. 

Os Mutantes
Créditos: Divulgação

Depois disso, a cantora resolveu contribuir e deu um toque poético aos versos da canção, fazendo com que ela ficasse ainda mais filosófica. O resultado foi uma das letras mais marcantes da música brasileira! 

Análise da letra de Balada do Louco

Apesar de ter uma história bem pessoal, que tem tudo a ver com as inseguranças de Arnaldo Baptista, tem muita gente que interpreta Balada do Louco de outra forma. 

Composta no contexto da ditadura militar no Brasil, há quem diga que a música tem um teor político e social muito forte. E, se você analisar bem a letra, é possível interpretar de um jeito que a música ganhe um aspecto universal

Logo na primeira estrofe, há uma celebração à loucura. Todos sabemos o quanto as doenças mentais são estigmatizadas em nossa sociedade e Os Mutantes conseguiram inverter essa visão com maestria: 

Dizem que sou louco por pensar assim
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz

Mais do que isso, a letra também é uma crítica às pessoas que não toleram as diferenças e só aceitam aquilo que está dentro dos padrões, ou seja, aquilo que é considerado “normal”.

Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu

Afinal, tristes são aqueles que tentam se encaixar nos princípios da normalidade, mas não são felizes. Então, de acordo com o personagem da canção, melhor mesmo é se manter muito louco e continuar em busca da sua própria felicidade.

Esse estado, inclusive, é visto como uma fonte de poder na canção: 

Se eles têm três carros, eu posso voar
Se eles rezam muito, eu já estou no céu
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz

Sim, sou muito louco, não vou me curar
Já não sou o único que encontrou a paz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, eu sou feliz

Coincidência ou não, Arnaldo Baptista experimentou, ele mesmo, as suas próprias doses de loucura.

Arnaldo Baptista
Créditos: Divulgação

Anos depois de escrever a música, o cantor teve um surto psicótico, foi internado em um hospital psiquiátrico, pulou a janela e nunca mais voltou… E há quem diga que ele continua louco até hoje! 😅

As várias versões de Balada do Louco

Balada do Louco foi um marco na música brasileira e, por esse motivo, vários artistas resolveram gravar as suas próprias interpretações desse sucesso. Confira, a seguir, as mais famosas:

Ney Matogrosso

Cheio de atitude e personalidade, Ney Matogrosso fez a sua própria versão de Balada do Louco, em 1984. Quase uma década depois do lançamento da original, a releitura agradou demais o público e fez com que esse hit continuasse vivo na memória dos brasileiros.

Rita Lee

Uma das integrantes do grupo Os Mutantes, Rita Lee resolveu gravar sozinha Balada do Louco, em seu CD Acústico MTV. O mais interessante é que a cantora deu um toque todo especial à letra que ela também compôs: passou todos os adjetivos e substantivos para o feminino.

Tianastácia

Os mineiros do Tianastácia também gravaram Balada do Louco. Fãs declarados dos Mutantes, essa versão mais rock and roll acabou se tornando uma espécie de homenagem à banda.

Manuche

A banda Manuche, conhecida por produzir um som mais pesado, criou uma interpretação de Balada do Louco nesse estilo. Perfeita para quem é fã de metal. 

KLB

Se você foi adolescente nos anos 2000, certamente conhece os irmãos Kiko, Leandro e Bruno, do saudoso KLB. O trio também contribuiu com uma versão de Balada do Louco, acompanhando o estilo dos seus hits, que conquistaram os fãs.

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Se você é fã de rock, certamente curte as canções do grupo Os Mutantes.

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