Um mate de manhã cedo, alcançado em gesto franco
Um pingo que ganha as garras, “pruma camperiada” ao tranco
Uma garça no horizonte, ostentando um pala branco
O sol pedindo serviço moldando um quadro de campo

Um galo que afina a goela avisando que hay pegada
Um andu rondando o ninho zelando pela ninhada
E um barreiro em matrimônio, alicerçando a morada
Quando canta um quero-quero, faz a gente “olhá” pra estrada

Camperiada de janeiro, recorrida de banhado
Num pingo bueno de arreio, por natureza domado
Um laço estilo canhoto, c’oas rodilha “doutro” lado
Batendo o guizo da argola, roçando o pelo molhado

Um potro em ponto de doma, de raça que corcoveia
Mau de baixo e caborteiro, num prenuncio de peleia
Que ao se “trompá” com um vaqueano, compreende corda e maneia
...E depois de alguns galopes... masca o bocal e troteia

Um bagual que se arrocina pelos fundões da invernada
Um pealo de toda trança, pro sapucai da “pionada”
Poncho negro que se abre, contra a chuva galopeada
Minuano que se levanta... sentindo ciúmes da geada

O dia fechando os olhos, logo após o sol se pôr
Trazendo à cabresto a lua, um “candieiro” em esplendor...
...Não acredito que alguém... com sentimento e valor
Possa dizer que este quadro é órfão de criador...

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