
Dom Santana
Mano Lima
“Dom Santana”: rotina tropeira, comando e saudade na estrada
Em “Dom Santana”, o chamado “venha, venha, boi” vira o compasso da viagem, transformando o comando da lida no pulso da narrativa. Os chamados a “Lagarto”, “Teimoso” e “Meneleu” soam como apelidos de peões ou bois, sinal de parceria entre gente e tropa. A canção arma a cena da tropeada com termos da lida: “Vai na ponta” manda alguém abrir caminho; “arrumar pouso” é garantir o lugar de dormir; “passa pelo fiador” indica o boi-guia, manso, que conduz o resto; “ronda” é a vigília noturna do gado e, se “não tiver paciência, é ronda redonda”, sem descanso. Ao citar “marca Biju Jamota”, Mano Lima nomeia a marca do gado, define o destino (Pelotas, polo histórico do comércio de gado) e a chefia: “o capataz é o Santana”, o “Dom” que impõe respeito e autoridade na tropa.
O tema central é a rotina dura do tropeiro no sul do Brasil: trabalho metódico, estrada longa e saudade. “Quem traz no couro o destino de ser tropeiro” mostra que a identidade do ofício fica na pele. “Pousando nos campo alheio como um teatino” compara o viajante a um religioso itinerante, sempre de passagem. A lembrança da “chinoca amada” expõe o custo afetivo, enquanto a contagem do tempo — “dezoito noite de ronda/ vinte um dia de tropa” — e trechos como “Subindo a Serra da Aurora” ressaltam persistência diante do terreno e do cansaço. No refrão, a repetição de “venha, venha, boi” amarra disciplina, solidão e orgulho de ofício no passo constante da boiada.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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