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Milonga Abaixo de Mau Tempo

Mauro Moraes

Coisa esquisita a gadaria toda
Penando a dor do mango com o focinho n'água
O campo alagado nos obriga à reza
No ofício de quem leva pra enlutar as mágoas

O olhar triste do gado atravessando o rio
A baba dos cansados afogando a volta
A manha de quem berra no capão do mato
E o brado de quem cerca repontando a tropa

Agarre amigo o laço enquanto o boi tá vivo
A enchente anda danada molestando o pasto
Ao passo que descampa a pampa dos mil réis
E a bóia que se come, retrucando o tempo
Aparta no rodeio a solidão local
Pealando mal e mal o que a razão quiser

(Amada, me deu saudade)
(Me fala que a égua tá prenha, que o porco tá gordo)
(Que o baio anda solto)
(Que toda cuscada lá em casa comeu)

Coisa mais sem sorte esta peste medonha
Curando os mais bichados deu febre no gado
Não fosse a chuvarada se metendo a besta
Traria mil cabeças com a bênção do pago!

Dei falta da santinha limpando os peçuelos
E do terço de tentos das prece sinuelas
Logo em seguidinha é semana santa
Vou cego pra barranca e só depois vou vê-la

Composição: Mauro Moraes. Essa informação está errada? Nos avise.
Enviada por Heinz. Revisão por Jader. Viu algum erro? Envie uma revisão.

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