
Antigamente
Mestre Toni Vargas
Memória da Lapa e ética da malandragem em “Antigamente”
“Antigamente”, de Mestre Toni Vargas, transforma a ideia de “malandragem” em um código de elegância e ética, mais próximo da capoeira do que da delinquência. Falada na voz de um mestre, a lembrança costura rua e ritual e marca um contraste clássico: idealizar o passado para criticar o presente. O verso “A malandragem / Não era como hoje em dia / Havia mais poesia / No jeito de malandrar” explicita a perda de certos modos de convívio. O “bom malandro / de branco” chama o linho da Lapa e, sobretudo, uma postura: ser “boa praça”, espirituoso e, se preciso, “bom de capoeira”. Quando se diz que ele “derrubava de rasteira / sem nem mesmo se sujar”, a “rasteira” — golpe de varrer as pernas — vira metáfora de resolver conflitos com precisão e honra, sem brutalidade.
A canção pinta a Lapa de outrora: “embaixo dos lampiões”, “lindas moças” e “rufiões” assistem ao “bonde” passar, com os Arcos da Lapa ao fundo e “o céu que a mãe natureza reservou pra esse lugar”. É um retrato afetivo que reforça nostalgia serena, orgulho e leveza de um convívio de rua mais poético. No desfecho, o coro “Ê viva meu Deus / Iê viva meu Mestre camará” ancora tudo na roda de capoeira: “camará” é saudação fraterna, e o “Mestre” é quem guarda e transmite saber. Como mestre e compositor dedicado à história afro-brasileira, Mestre Toni Vargas encerra celebrando a continuidade e a dignidade dessa cultura.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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