
Eu-mático
Newton Jayme
Eu guardei dentro do meu ser
Um rio sem margem e sem fim
Feito de vozes antigas
Que ainda conversam em mim
Não aprendi com as certezas
Que fecham portas e janelas
Aprendi com o vento livre
A procurar novas estrelas
Sou feito de perguntas
De silêncio e travessia
Um grão perdido no tempo
Buscando a própria poesia
Não quero um céu desenhado
Por mãos que não sabem sonhar
Quero a luz que nasce humilde
Quando alguém aprende a amar
Sou caminho e contradição
Sou procura, sou abrigo
Não quero um Deus de palavras
Quero um Deus andando comigo
Não quero respostas prontas
Nem verdades de vitrine
Carrego algumas perguntas
Que o silêncio não define
Eu sigo um Exemplo sem palco
Sem poder, sem exibição
Que tocou a dor do mundo
Com as próprias mãos
E desde então sigo andando
Sem medo da imensidão
Porque a verdade não é prisão
É chama dentro do coração
E quando tudo terminar
Quando cessar a ilusão
Ficará apenas a chama
Que atravessa a escuridão
Pois segui aquele Homem
Que venceu a própria dor
Não deixou um monumento
Deixou o caminho do amor



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