Cobiça (Kokushibo)
RapB0y
Boatos de que há um caçador que se rendeu a caça
Um desertor em prol de sua ambição
Na noite mais bela e crua, nua lâmina na Lua
Banhada com o fulgor cruel de sua ascensão
Um filho do luar
Entregue à cobiça impura contra sangue do seu sangue
E o brilho do luar
Reflete em teus olhos o topo tão distante
Sou só uma fração da silhueta miserável de sua sombra
O raiar que ofusca minha faísca e me apaga me assombra
À ti, serei superior
Iguais, tratamentos distintos
No rosto, portava uma marca
Prenúncio, exílio foi o castigo
De uma superstição cravada
Contra alguém que é tão frágil
Que busca os braços da mãe como abrigo
Incapaz de ferir sequer uma alma
Me dói te ver com o pouco do mínimo
Até o dia em que nossa hierarquia teria uma inversão de papéis
Oculto talento, sublime na arte da espada, leva o tutor aos teus pés
Imenso em descrença que amarga meu peito, vendo o que era meu ir pra sua posse
E eu que treinei até sangrar meus calos me vi sem chão, sem rumo, sem norte
Por que você fugiu se distante, ainda havia brilho?
Alicerce pra nossa luz, tua existência: Um empecilho
E mesmo com o tempo indo, tendo uma nova vida
Sempre houve uma centelha de seu talento maldito
Sendo o Sol, afogando minha Lua em presságio
Em dias contados, em ofegos de um respiro frustrado
Inevitável angústia de não exceder e ceder malogrado
O pódio é meu por direito, destino supérfluo, eu passo
Um filho do luar
Entregue à cobiça impura contra sangue do seu sangue
E o brilho do luar
Reflete em teus olhos o topo tão distante
Sou só uma fração da silhueta miserável de sua sombra
O raiar que ofusca minha faísca e me apaga me assombra
À eles, sou superior
Quando o Sol se pôs, a Lua nasceu com toda sua raiva
Busquei um motivo pra afagar o fogo que não cala
Olvidei das faces, mas a sua veio a retornar
O brilho do Sol que hoje respira não vai respirar
Quando o Sol se pôs, a Lua nasceu com toda sua raiva
Busquei um motivo pra afagar o fogo que não cala
Olvidei das faces, mas a sua veio a retornar
O brilho do Sol que hoje respira não vai respirar
O tempo bate na porta
Pra quem sobressai teus confins
O que você tem de mais?
Responda, por que és assim?
Mesmo te partindo ao meio
Eu não me sinto feliz
Pelas mãos do mais forte
Escorre o tempo que tinha pra me dar um fim
Sangue nefasto em minhas veias
Afasto o que lhe faz humano: Sentença
Algo que um mera cópia não alcançaria jamais
Descendente és, sangue vivo em alvorada
Pupilos do amanhecer encontram trevas que dissipam a paz
O fiasco de sua bruma em ocultar o meu luar
Intempérie é calmaria, são só pedras no sapato
Do mais forte de seu tempo, e o meu tempo trás memórias
De quem eu quis espelhar, eu não suporto esse fardo
Quando foi que eu me tornei um monstro?
Boatos de que há um caçador que se rendeu a caça
Um desertor em prol de sua ambição
Na noite mais bela e crua, nua lâmina na Lua
Banhada com o fulgor cruel de sua ascensão
U-Um filho do luar
Entregue à cobiça impura contra sangue do seu sangue
E o brilho do luar
Reflete em teus olhos o topo tão distante
Sou só uma fração da silhueta miserável de sua sombra
O raiar que ofusca minha faísca e me apaga me assombra
À ti, sigo inferior
Quando o Sol se pôs, a Lua nasceu com toda sua raiva
Busquei um motivo pra afagar o fogo que não cala
Olvidei das faces, mas a sua veio a retornar
O brilho do Sol que hoje respira não vai respirar



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