Estágio 3: Como sempre termina

Wendell Soares

Pra quem chegou até aqui sem se vender
Viveu errado ou não viveu pela manhã
Mas por favor, evite pelo menos
Não ser outro Onã
E se for, quer saber
Talvez dê na mesma já que, de todo jeito
Todos vamos nos foder

Por isso, vamos lá, dê o sangue
Se todos estamos fodidos
Que também seja gozado
Tanto faz se no gang bang
No papai, mamãe ou amarrado
Sentindo algo ou sem fazer sentido

De dois, o amor, se vê a carne que se abate
No açougue que só quer nos incitar ao errado
Do contrário, erro maior é o celibato
Quando se pode ser igual a Rita Cadillac

E no absurdo, ainda há quem inventa de não transar
Por crença, bom senso, ou só pra não responder
A um chamado do corpo que só quer foder e foder
E mesmo quem não fode, a vida fode por você

Te goza na cara e te chama de puta
Um jato de esperma com gosto salgado
Molhando a pele num suor ou pecado
Melhor que a nobreza de qualquer labuta

Ei você, não se faça de rogado
No escuro todo mundo se excita
E nem se apresenta de jeito careta
Comendo tudo, bunda, pau, peito, buceta
Pra depois tentar fingir que acredita
No arrependimento sincero que se cala
Mas entre Salomão e o Kid Bengala
Vive os dois e se for dois, ainda vira marmita
Mas se o corpo é uma casa sem chave
É normal que na pia o pau se lave

Entrar sem perguntar, sair sem resistir
Viver Brasileirinhas, Hotboys ou Belami
Ei, meu caro, você sabe e eu também sei
Se o membro desgastar basta pagar a tarifa
Se não for com viagra, tenta com a Mia Kalifa

Silvia Saint, Cicciolina ou, é claro, Sasha Grey
Não curte? Sem erro, espera um pouco
Que acha do Brent Corrigan, do Mills, um bom xaveco?
Ou é tipo banheiro ou isca pro caçador tcheco?

Não importa, apenas curta, Didi Mocó ou Rocco
Só não esquece que o foco, dia após dia
Tem que transitar entre ser e parecer uma vadia
Molhar lençol, fralda, cuspir, botar pau, dedo, até perna
Até atingir a meta, que é apenas
Um jato de esperma

Ei você, não se faça de rogado
No escuro todo mundo se aprofunda
E não há xota de freira ou pau torto de corcunda
Que importe se o gozo for ao final derramado

Porque a nobreza do corpo é só conta e planilha
E cada gozo vendido, é mais que indulgência, é o céu
Quem goza de verdade não se vê sendo uma ilha
E ainda adentra o que outro lhe dá ou lhe pede aluguel

Vai, põe tadala no bolso, isso melhora a auto estima
Faz do nojo um costume que tem por fim o que se mete
Mêta, goze, de novo, se não curtir, a gente repete
Desde que dentro de outro, o outro não saia de cima

Que tal te gozar na alma e te chamar de cão
Dar de beber com talento um baita jato da minha porra
Chupe, lamba, meta, coma, trepe e então corra
Pro próximo que vai lhe levar a outra ejaculação

Porque a vida é um boleto e gozar é um pré-datado
Logo, quem paga em dívidas não tem nenhum cashback
Então vem pro Serasa, pro puteiro, apenas se entregue
No vai e vem do que não precisamos ver explicado

Antes de entrar, tire a roupa, os medos, o receio
Conta um fetiche, pega um chicote, besunte de óleo
Faz de conta que teu corpo tá pra espólio
E dá o que tem ou dá o que tem no meio

Não seja pudico, se tiver que ir
Goze e só depois vá pro inferno
Um jato de esperma escorrendo no pós sexo
Não precisa necessariamente ter nexo
Só precisa ter estado dentro, bem dentro, interno

Ei você, não se faça de rogado
Nem você encara o que faz escondido
E daí se seu prazer é trepar com um mendigo
Ele, você e talvez eu somos só carne num mercado

Ei você, larga a mão de ser chatão
Mesmo no escuro sinto um tesão latente
Deixa de lado esse papo de crente
E permita-se ajoelhar sem fazer oração

No fim das contas, sempre no fim
Quando chega a hora da gente comer capim
É sempre decepcionante o resultado
E nem precisa ter nas mãos o saldo

Pra entender
Que o prêmio de tudo é nada
Nada, nada, a porra de um nada
Um nadíssimo nada
E ainda bem, porque a vida
Essa safada
Mesmo sendo como é
Se traveste ilibada
E pra soar moderninha
Troca Marlboro por pod
Bjork por Lordi
Até que você encontre a morte
Então mande pra merda o sentimento
Tira uma, tira um tempo
Pra trás, pra frente, o melhor movimento
É fora, dentro, dentro
Dentro
Você, sem sentir o KY
No rabo deslizando
Sorri e vai, como um corno
Um corno manso, acreditando
Que tudo nem é tão mal
Enquanto a vida te fode
Fode, enquanto pode ou não pode
Porque a vida é um pagode
Sim, um pagode
Desgracento, chato, metido a romântico
Mas pagode
Então exploda de gozar, vai
Senão a vida, ela te explode
Explode
Fode, fode, fode


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