
Garoto de Aluguel
Zé Ramalho
A crítica social e o desencanto em “Garoto de Aluguel”
Em “Garoto de Aluguel”, Zé Ramalho aborda de forma direta e sem rodeios o estigma do trabalho sexual masculino. Logo nos primeiros versos, o protagonista assume sua profissão: “Minha profissão é suja e vulgar / Quero um pagamento para me deitar”. Ao expor o preconceito e a frieza das relações baseadas em dinheiro, a música revela a solidão e o distanciamento emocional do personagem. O trecho “Dê-me seu dinheiro que eu quero viver / Dê-me seu relógio que eu quero saber / Quanto tempo falta para lhe esquecer” destaca o caráter transacional e passageiro desses encontros, mostrando que o afeto se torna apenas mais um item negociável.
O contexto pessoal de Zé Ramalho reforça o tom confessional da canção. O artista já relatou ter vivido situações de vulnerabilidade ao chegar ao Rio de Janeiro e, embora negue ter sido “michê”, admite ter tido relações motivadas por interesse. Isso se reflete na letra, que mistura crítica social e experiência pessoal, especialmente quando o protagonista se mostra indiferente ao julgamento: “Nada me preocupa de um marginal”. A música também sugere uma denúncia sobre a falta de direitos e reconhecimento dos profissionais do sexo, reforçada pelo tom desencantado e pela metáfora do “caramelo que chega-se ao fim”, que simboliza a doçura breve e descartável dessas relações. O arranjo orquestral grandioso contrasta com a crueza da letra, ampliando o impacto emocional e a ironia presentes na canção.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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