Elis Regina: biografia e curiosidades sobre a rainha da MPB

Biografias · Por Camila Fernandes

19 de Janeiro de 2021, às 08:00

Dizem por aí que a MPB nasceu junto com o nome Elis Regina, e que ela veio ao mundo predestinada a revolucionar a música brasileira. Até pareceria exagero, se não tivéssemos gravações que mostram a grandeza da voz e da interpretação da pimentinha.

Elis tem um significado tão forte, que esse nome deveria ser um elogio. Quem não ia gostar de ouvir um “nossa você tá muito Elis hoje”?! 

Elis Regina
Créditos: Divulgação

Muito além de uma mulher de personalidade marcante, Elis Regina era dona de um talento extraordinário. Ela foi a primeira a dar voz à mistura de estilos que ficou conhecida como Música Popular Brasileira em 1965, quando tinha apenas 20 anos de idade.

Também foi ela a responsável por lançar vários artistas de sucesso na MPB, como Milton Nascimento e Belchior. E aí, já deu pra despertar a curiosidade? Vem com a gente conhecer a incrível biografia de Elis Regina!

Biografia de Elis Regina

Se ainda estivesse viva, Elis Regina Carvalho Costa teria hoje 75 anos de idade: ela nasceu no dia 17 de março de 1945, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Elis Regina
Créditos: Divulgação

O nome, pouco comum por aqui, foi inspirado em uma personagem de um livro que a mãe, Ercy Carvalho, estava lendo na época do nascimento da filha. Já o Regina foi escolhido pelo pai, Romeu Costa.

A música sempre esteve presente na vida de Elis. Ela contava em entrevistas que tinha uma vitrola no quarto, e que ouvia a Rádio Nacional da hora que acordava até a hora que ia dormir.

Nomes como Francisco Alves, Marlene e Emilinha, cantores famosos do rádio, estiveram entre as primeiras influências musicais da menina.

O Clube do Guri e os primeiros passos de Elis no rádio

Quem vê a Elis Regina que todo mundo conhece hoje nem imagina que ela já foi uma menina tímida e introspectiva. Como ela mesma disse, não gostava muito de ter contato com outras pessoas. 

Elis Regina
Créditos: Divulgação

Aos 7 anos de idade, Elis já cantava muito bem, e foi incentivada a participar do programa Clube do Guri, uma competição para talentos mirins da Rádio Farroupilha, que fazia sucesso em Porto Alegre. 

Na primeira vez que cantou, entretanto, a timidez não deixou o sucesso chegar. O radialista Ary Rego, que era apresentador do programa, lembra que o nervosismo era visível na menina, e que ela acabou tendo uma hemorragia nasal durante a transmissão.

Segunda tentativa e primeiro contrato profissional

Foi só quatro anos depois, agora com 11 anos de idade, que a pequena Elis Regina voltou ao Clube do Guri, que era transmitido pela Farroupilha todos os domingos.

Ary Rego e Elis Regina no Clube do Guri
Ary Rego e Elis Regina no Clube do Guri / Créditos: Divulgação

Dessa vez, com muito mais desenvoltura, ela conseguiu se apresentar e conquistou o público. Naquele dia, Elis ganhou seu primeiro prêmio e se tornou convidada fixa do programa.

Como exigência da mãe, que queria que ela fosse professora, Elis tinha que dividir o tempo entre os ensaios de canto e os estudos rígidos — manter o boletim impecável era uma condição para que ela continuasse cantando.

Sensação em Porto Alegre, ela ganhou uma confiança inabalável no próprio trabalho, assumiu o controle e nunca mais largou.

Elis Regina
Créditos: Divulgação

Dizem que foi mais ou menos nessa época que a timidez desapareceu e deu lugar à Elis que conhecemos. Isso rendeu o primeiro contrato profissional da menina, que começou a se apresentar no horário nobre da Rádio Farroupilha.

Contrato com a Rádio Gaúcha e primeiro álbum

Em 1960, Elis Regina foi contratada pela Rádio Gaúcha — aos 15 anos de idade, o salário dela já era maior que o do pai. 

No ano seguinte, com 16 anos, lançou seu primeiro disco Long Play, Viva a Brotolândia. Ela ganhou o título de “estrelinha da Rádio Gaúcha” e foi eleita por uma revista como a melhor cantora do rádio gaúcho. 

Capa do álbum Viva a Brotolândia, de Elis Regina
Capa do álbum Viva a Brotolândia / Créditos: Divulgação

Mudança de Elis para o Rio e os anos de chumbo

Naquela época, mesmo que despontassem artistas super talentosos em todos os cantos do Brasil, o sucesso acontecia mesmo no eixo Rio-São Paulo, que concentrava a maior parte das rádios e as emissoras de TV, sem falar nos famosos festivais da década de 60.

É com essa perspectiva que, em 1964, Elis e o pai se mudam para o Rio de Janeiro, deixando em Porto Alegre a mãe e o irmão mais novo, Rogério Carvalho da Costa.

Eles chegaram à cidade poucos dias depois do golpe militar, e isso acabou por dificultar bastante o começo da estadia de Romeu Costa.

Se para o pai o começo foi difícil, Elis já chegou com tudo. 1964 foi um ano de agenda lotada, com apresentações no eixo Rio-São Paulo.

Ela assinou um contrato com a TV Rio para se apresentar no programa Noites de Gala e, ainda no mesmo ano, foi convidada para cantar no Beco das Garrafas, reduto onde nasceu a Bossa Nova no Rio de Janeiro.

Elis e Jair Rodrigues no programa O Fino da Bossa
Elis e Jair Rodrigues no programa O Fino da Bossa / Créditos: Divulgação

Em 1965, mais dois grandes marcos consagraram o nome de Elis. Ao lado de Jair Rodrigues, ela foi contratada pela TV Record para apresentar o programa O Fino da Bossa, que rendeu três álbuns. 

No mesmo ano, ela cantou a música Arrastão, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes, que venceu o I Festival de Música Popular Brasileira na TV Excelsior e inaugurou a MPB

Compacto com a música vencedora do 1º Festival da Música Popular
Compacto com a música vencedora do I Festival da Música Popular / Créditos: Divulgação

No ano seguinte, entre álbuns, apresentações e prêmios, Elis já era a cantora mais bem paga do Brasil, aos 21 anos de idade.

Aprimoramento e auge na década de 70

Quem pensava que Elis já tinha chegado ao seu melhor momento estava muito enganado. Durante o fim dos anos 60 e começo da década de 70, a cantora passou por um aprimoramento vocal e investiu em discos com cada vez mais qualidade técnica

Veio daí o estrondoso sucesso do espetáculo Falso Brilhante, de 1975, que rendeu um dos álbuns mais conhecidos de Elis Regina. É nele que estão músicas como Velha Roupa Colorida, Fascinação (que é uma versão de uma canção italiana) e Como Nossos Pais, música que se tornou símbolo da luta contra a ditadura.

Morte precoce e sucesso inabalável

Infelizmente, tudo na carreira de Elis Regina sempre foi precoce, do começo ao fim. Ela foi encontrada morta no dia 19 de janeiro de 1982, aos 36 anos de idade.

A causa da morte foi overdose, e muitos acreditam que isso tenha ocorrido justamente porque Elis não era usuária de drogas e não estava acostumada com os efeitos. O que de fato aconteceu naquele dia, ninguém nunca soube.

O filho mais velho de Elis, que tinha 11 anos na época, disse que o maior medo que tinha é que, após a morte, a mãe fosse esquecida.

João Marcelo disse que a vida inteira escutou as pessoas perguntarem: você lembra da sua mãe?. Por isso, ele decidiu escrever o livro Elis e eu: 11 anos, 6 meses e 19 dias com minha mãe, um livro de lembranças que busca celebrar a vida da pessoa que nunca será esquecida no coração dele.

Elis Regina com os três filhos: Maria Rita, João Marcelo e Pedro Mariano
Elis Regina com os três filhos: Maria Rita, João Marcelo e Pedro Mariano / Créditos: Divulgação

Felizmente, não foi. Elis Regina continua sendo um grande nome da MPB e é considerada por muitos como a melhor cantora brasileira de todos os tempos. 

Em 2012, Elis apareceu em um top 100 da revista Rolling Stone como a segunda maior voz brasileira, atrás apenas do cantor Tim Maia.

Confira outras mulheres que marcaram a música brasileira

Assim como Elis, várias outras cantoras fizeram sucesso por aqui e deixaram grandes contribuições para a música brasileira. Que tal relembrar outras 14 cantoras que marcaram época?

Mulheres na música

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