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O Conto de Naná

Cainã (Morador do Mato)

Letra

    Um tempo atrás, num mar de nuvens
    Em uma ilha oscilante a flutuar
    Então perdida em casas-flores
    Uma menina nunca conseguiu falar

    Pelas planícies via sempre tantas cores
    E o sol sorria para as suas asas a voar
    E contemplava em suas dores
    A consciência de não se comunicar

    De pés no chão, olhou o mundo
    E consciente começou a observar
    Tantas janelas, tantas portas
    Tão fechadas, sem ninguém para habitar

    E ponderou, enquanto o céu se acinzentou
    Por que é que tanto tinha pra falar e não falou
    E num instante sua mente sorriu
    No mesmo instante a resposta surgiu

    No horizonte então desfeito
    A tempestade enorme estava a se formar
    Naná se viu e encheu o peito
    Ao seu silêncio, um fim enfim iria dar

    E assim pensou, sem medo:
    “Nada é desse jeito
    O mundo é tão perfeito pra eu me calar!”
    E cantou!

    E cantou!
    E cantou naná!

    Ah-ah-ah-ah-ah-ah

    E ao céu se abrir
    Os animais puderam sair
    De suas casas a sorrir
    E até hoje dizem ouvir

    O canto de naná
    E o conto de naná


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