O Cântico dos Campos Vermelhos
Auravóris
Chegando aos campos vermelhos, ele enfim parou
Sob a grande macieira, o vento o abraçou
O aroma da terra, como um Éden recém
E as folhas dançavam, sem nome ainda, além
Uma canção antiga que o tempo esqueceu
Mas que um dia no mundo, inteiro vai nascer
E ali, em silêncio, tentou escrever
Mas as palavras já não vinham mais
Como cantar o que em mim se calou?
Como acender o que o mundo apagou?
Se o tempo levou minha chama interior
E o peso da vida silenciou meu amor
Mas algo ainda vive aqui
Mesmo quando não consigo sentir
E no vento eu posso ouvir
Algo chamando por mim
Caderno nas mãos, mas o peito vazio
Versos presos num mundo frio
Correntes de ferro, feitas de razão
Aprisionam o fogo no fundo do coração
E ele sussurra ao céu pintado
Como um quadro que nunca foi tocado
Como expressar o que restou de mim?
Se tudo em volta me afastou de mim
Como cantar o que em mim se calou?
Como acender o que o mundo apagou?
Se o tempo levou minha chama interior
E o peso da vida silenciou meu amor
Então um canto rompe o ar
Um rouxinol começa a chamar
E sua voz ecoa além
Dos campos, do tempo, do que não se vê
E a cada nota algo volta a viver
E a cada som ele volta a ser
E então ele sente o fogo voltar
Nas coisas simples, no ato de olhar
Na obra viva que o mundo ainda é
No sopro do vento, na terra sob os pés
Agora canto o que em mim reviveu
A chama que o mundo nunca venceu
E no som do vento, no canto da dor
Eu reencontrei, o meu próprio amor
E o poeta, em lágrimas caiu
Pois o fogo, enfim
Ressurgiu




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