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O Poeta

Auravóris

Riachos dourados sob o sol poente
No horizonte, águas claras, transparentes
E o poeta, cansado, se entrega ao instante
Diante da beleza, tão intensa, tão distante

E ali, sob a estrela que nunca se apaga
Ele observa o mundo, enquanto a alma divaga

E no silêncio do entardecer
Algo em mim começa a renascer

Sou poeta de um tempo doente
Fugindo da mente, constantemente
Nas rimas encontro um lugar
Onde posso enfim descansar

Sou poeta, a me perder
Só pra dentro de mim renascer
E no verso que o vento levou
Algo em mim, se libertou

Um momento apenas pra tocar o que sou
Entre palavras que o tempo não levou
Versos nascem como fuga e abrigo
De um mundo que nunca fez sentido

Buscador de um paraíso distante
Preso e livre, no mesmo instante

Sou poeta de um tempo doente
Fugindo da mente, constantemente
Nas rimas encontro um lugar
Onde posso enfim descansar

E se tudo for só ilusão
Ainda assim, escrevo

Sou poeta, mesmo sem voz
Mesmo quando tudo se desfaz
E no fim do que restou de mim
Há um verso, que não tem fim

Riachos dourados
E o poeta, em paz


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