O Grito, 1893
Auravóris
Murmúrios de uma existência incógnita
Reflexos de uma entidade sem nome
Enquanto vaga pelas sombras à volta
O céu arde em fogo, sufocado em tons de desespero
E o vento gela os ossos como um eterno lamento
E os passos ecoam num vazio sem chão
Um abismo em cada olhar, em cada direção
A ponte suspira sob o peso da agonia
E o mar, feroz e calado, engole as lágrimas
Os rostos ao longe, indiferentes
Figuras que passam como sombras ausentes
A boca se abre num grito mudo
Tudo vibra, nada responde
A dor rasga o ar como um relâmpago
Mas o mundo, surdo, segue adiante
O que é esse grito, senão expressão da verdade?
Um sussurro do vazio, ou a voz da mortalidade?
Minha carne chora, a alma sangra
Ou é o universo que se dobra, em silêncio
Diante de minha própria miragem?
Meu grito ecoa, sem início, sem fim
O sopro da existência preso em espirais
Como uma pincelada eterna na tela do caos
A marca de um espírito que nunca se cala




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