Gilberto Gil: conheça a biografia de um dos ícones da MPB

Biografias · Por Dora Guerra

8 de Novembro de 2019, às 20:00

Gilberto Gil, um dos maiores nomes da MPB, é cantor, compositor, multi-instrumentista e até político. Para grande parte dos músicos e amantes da música brasileira, o legado de Gil é inegável.

biografia do Gilberto Gil
Créditos: Divulgação

Mas como é que ele se tornou tudo isso? A trajetória de Gil explica muito sobre a sua sonoridade, suas letras e sobre o processo que o tornou uma referência no que diz respeito à MPB. Por isso, vale demais saber a história por trás de sua carreira, que já tem mais de 50 anos. 

Aproveita essa biografia para descobrir como Gilberto Gil foi da Bahia ao mundo!

Breve biografia de Gilberto Gil

Aos 77 anos de vida, Gilberto Gil já lançou mais de 30 álbuns, casou-se quatro vezes, foi nomeado Artista pela Paz pela UNESCO, recebeu o título de Grã-Cruz pelo presidente de Portugal e muito mais. Como resumir essa trajetória de vida, hein? Bom, a gente tentou:

Início da carreira e encontro com Caetano

Gilberto Passos Gil Moreira nasceu em Salvador, em 1942. O baiano foi fortemente influenciado pelo som da caatinga, como o do grande Luiz Gonzaga. Já sabia tocar sanfona aos 9 anos e, mais velho, começou a compor bossa nova.

Em 1963, ele conheceu seu maior parceiro musical, Caetano Veloso. Gil estava cursando Administração na Universidade da Bahia quando teve contato com Caetano e sua irmã, Maria Bethânia. 

Gilberto Gil e Caetano Veloso
Caetano e Gil / Créditos: Divulgação

Nessa época conheceram também Gal Costa e Tom Zé. Foi nesse ano que Gil lançou seu primeiro LP, chamado Sua Música, Sua Interpretação. Dá pra imaginar quantas ideias malucas vinham desses encontros?

Aos poucos, a carreira do músico foi decolando. Pela participação em Festivais da Canção com Domingo no Parque, pelas parcerias incríveis ou pelo surgimento do movimento tropicalista, tornou-se impossível não conhecer Gilberto Gil.

Aliás, não dá pra não falar da Tropicália: o movimento, composto por Gil, Caetano, Os Mutantes e Tom Zé, foi responsável por trazer novas sonoridades para a música brasileira. Era uma fusão do rock’n’roll com a MPB, uma mistura bem maluca sem perder o tom crítico.

Ditadura e exílio na Europa

No entanto, nem tudo é sucesso. Enquanto Caetano e Gil foram se tornando músicos super influentes, a repressão da ditadura aumentava. Em 1969, depois de serem brevemente presos por posse de maconha, os dois amigos fugiram para a Inglaterra.

Caetano Veloso e Gilberto Gil exilados na Europa
Gilberto Gil e Caetano Veloso exilados na Europa / Créditos: Divulgação

Em seu exílio, Gil e Caetano não deixaram de compor. Mesmo com o cantor fora do Brasil, a gravadora lançou diversas músicas suas, sendo um grande sucesso no país. Curiosamente, uma delas era Aquele Abraço, que Gil chama de “canção de despedida” ao Brasil.

É claro que os dois músicos também aproveitaram para tocar em toda a Europa. Um dos momentos mais marcantes foi a passagem de Gil e Caetano pelo Festival da Ilha de Wight, em 1970. 

O festival tinha um público de 60 mil pessoas e um line-up que incluía The Who, The Doors e até a última apresentação de Jimi Hendrix. Ainda assim, na matéria lançada pelo jornal The Guardian, os “dois brasileiros anônimos” eram considerados a atração principal do segundo dia do evento.

Dá pra ter uma ideia de como foi o show nesse vídeo (que nenhum dos dois sabia que existia!):

No que diz respeito à evolução musical de Gil, é legal apontar que essa época o rendeu bons contatos com artistas do reggae. Pra quem conhece o trabalho do compositor, essa influência foi bastante nítida em seus álbuns seguintes, né?

Em 1972 o músico voltou para o Brasil com a sua família, que incluía sua esposa Sandra e seus filhos Pedro, Preta e Maria. Foi Sandra que inspirou a lindíssima Drão, escrita quando os dois se separavam

Década de 80 em diante

Com a volta da democracia, Gil voltou para o Brasil e pôde lançar seus trabalhos sem o medo da censura.

Nos tempos de exílio, algumas gravadoras gringas propuseram o lançamento de álbuns em inglês e um investimento na carreira internacional do artista, mas o maior interesse de Gil era de compor MPB no Brasil, sem repressão.

Foi a partir dessa época que o artista foi fortemente influenciado por temas ligados à negritude, tanto musicalmente quanto em suas letras. 

Inclusive, sua participação no Festival Mundial de Arte Negra, em 1976, foi um fator fundamental para essa influência. É daí que vem canções como Refavela:

A refavela, batuque puro, de samba duro de marfim. Marfim da costa, de uma Nigéria, miséria roupa de cetim

Lançou álbuns incríveis como Expresso 2222, apresentou-se ao lado de artistas como Caetano, Rita Lee e Jimmy Cliff e até nos trouxe a icônica Sítio do Picapau Amarelo, para o programa que estrearia na Rede Globo. 

O resto é história: hoje, com mais de 30 discos lançados, Gil já venceu Grammys (tanto o internacional quanto o latino), recebeu honras internacionais e até teve carreira política. Isso mesmo: Gil já foi pré-candidato à prefeitura de Salvador, vereador da cidade, embaixador da ONU e Ministro da Cultura no Brasil.

Ah, e desde o fim da década de 70, o artista é casado com Flora, com quem teve Bem e Bela Gil. Os dois estão juntos (e, aparentemente, super felizes) até hoje!

Gilberto Gil e a esposa Flora
Créditos: Divulgação

As músicas incomparáveis de Gilberto Gil

É difícil contar brevemente sobre uma vida e uma carreira tão incríveis, né? Por isso, a gente acha que a melhor forma de explicar quem é Gilberto Gil não é com uma biografia, mas através de suas músicas.

Nelas, dá pra sentir claramente suas influências, desde o som da caatinga baiana até o reggae jamaicano. Dá um play pra ouvir as músicas mais ouvidas do Gil!

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